Com o tempo, eram persuadidas a ficar mais na instituição e a trabalhar para o investigado. Em seguida, convidadas a morar com ele e outros integrantes do grupo, pois seria “mais prático e econômico”, de acordo com os relatos do líder espiritual às vítimas.
“Prisão psicológica”
As vítimas, então, trabalhavam durante todo o dia, com dedicação exclusiva, sem receber o “salário” combinado nem ter alimentação adequada. As pessoas aceitavam as condições ao longo de anos por acreditarem que trabalhavam para uma missão divina, segundo apurado pela PF.
O controle do grupo se mantinha por meio de um organograma hierarquizado, no qual o suspeito era considerado “grão-mestre”, “escolhido” pelo arcanjo Miguel. Quem não cumpria o determinado ou esperado pelo investigado era exposto e humilhado, em reuniões do grupo, e sofriam violência psicológica por meio de “maldições e ameaças” em nome de Deus e dos anjos.
As vítimas temiam sair do local ou entrar em contato com pessoas de fora sem autorização do suspeito, por medo das consequências. Uma das vítimas relatou que vivia em uma “prisão psicológica”.
Sob controle do líder espiritual, as vítimas assinavam documentos, confiando no suspeito, com a justificativa de que ajudavam na missão. No entanto, o investigado criou diversas empresas nos nomes dos fiéis e contraiu várias dívidas.
As vítimas ouvidas só descobriram a existência das empresas e dos débitos após a saída da organização. O investigado pode responder pelos crimes como redução de alguém a condição análoga à escravidão, violação sexual mediante fraude e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 14 anos de prisão.