Rússia suspende participação no último tratado nuclear restante com os EUA
Vladimir Putin — Foto: Sputnik/Aleksey Nikolskyi/Kremlin via Reuters
Por Reuters
O presidente Vladimir Putin disse na terça-feira (21) que a Rússia está suspendendo sua participação no novo tratado START com os Estados Unidos, que limita os arsenais nucleares estratégicos dos dois lados.
“A esse respeito, sou forçado a anunciar hoje que a Rússia está suspendendo sua participação no tratado estratégico de armas ofensivas”, disse Putin a parlamentares no final de um importante discurso no Parlamento, quase um ano após o início da guerra na Ucrânia.
O novo tratado START foi assinado em Praga em 2010, entrou em vigor no ano seguinte e foi prorrogado em 2021 por mais cinco anos, logo após a posse do atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
Ele limita o número de ogivas nucleares estratégicas que os Estados Unidos e a Rússia podem implantar, o número de submarinos para lançar mísseis e a quantidade de bombardeiros terrestres.
A Rússia tem o maior estoque de armas nucleares do mundo, com cerca de 6.000 ogivas, segundo especialistas. Juntos, a Rússia e os Estados Unidos detêm cerca de 90% das ogivas nucleares do mundo – o suficiente para destruir o planeta várias vezes.
Rússia diz que seguirá cumprindo acordo nuclear, apesar de suspender participação
A Rússia garantiu na terça-feira (21) que continuará respeitando as limitações impostas ao seu arsenal nuclear pelo tratado Novo START, apesar da decisão anunciada pelo presidente Vladimir Putin de suspender sua participação no acordo de desarmamento russo-americano.
“A Rússia manterá uma abordagem responsável e seguirá respeitando rigorosamente, durante toda a vigência do tratado, as limitações quantitativas de armas estratégicas ofensivas”, disse o Ministério das Relações Exteriores.
Putin anunciou poucas horas antes a suspensão da adesão da Rússia ao último acordo bilateral de desarmamento nuclear entre Moscou e Washington, que estava a princípio prorrogado até 5 de fevereiro de 2026.
O ministério russo justificou esta decisão pelas “ações destrutivas dos Estados Unidos”, que acusou de múltiplas violações do texto assinado em 2010, que “põem em perigo o seu funcionamento”.
De acordo com Moscou, a “extrema hostilidade” de Washington e seu “compromisso aberto com uma escalada maliciosa do conflito na Ucrânia” criaram um “ambiente de segurança fundamentalmente diferente” para a Rússia.
“Os Estados Unidos e o Ocidente que lidera tentam prejudicar nosso país em todos os níveis, em todas as áreas e em todas as regiões do mundo”, afirmou a diplomacia russa, argumentando que o “status quo não é mais possível”.
Por outro lado, a Rússia considera que o arsenal das três potências nucleares da Otan – Estados Unidos, França e Reino Unido – “deve ser combinado e levado em conta conjuntamente no processo de limitação e redução”, enquanto o Novo START apenas diz respeito a Moscou e Washington.