EUA condenam governo Lula por aceitar navios iranianos

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Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Leiliane Lopes

O governo dos Estados Unidos tem deixado claro o incômodo gerado em Washington com a permissão dada por Brasília para navios iranianos atracarem no Rio de Janeiro, nesta semana. Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que a decisão brasileira foi “errada”, assim como passa uma mensagem “errada”, destacando ainda que o país é o único da região a adotar uma medida desse tipo.

– Nós não discutiremos conversas diplomáticas, exceto para dizer que deixamos claro para países relevantes que esses navios não devem atracar em nenhum lugar – afirmou o porta-voz.

– O Brasil é um país soberano que pode tomar sua própria decisão sobre como se relacionar com o Irã. Até o momento, o Brasil é o único país do nosso hemisfério que aceitou um pedido de atração – destacou o porta-voz do Departamento de Estado americano.

O tom severo das declarações da diplomacia americana indica o nível do incômodo com a decisão do governo Lula de permitir que as embarcações Iris Makran e Iris Dena, que pertencem à frota de guerra iraniana, atracassem no porto do Rio de Janeiro no dia 26 de fevereiro. Os navios devem ficar na Baía de Guanabara até este sábado (4/3).

Os navios já tinham recebido, em 13 de janeiro, uma autorização para aportar entre os dias 23 e 30 daquele mês, pouco antes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 9 de fevereiro, a Washington a convite de Joe Biden.

A atracação dos navios foi adiada em razão da sensibilidade diplomática do movimento e uma nova autorização foi emitida pela Marinha do Brasil e publicada pelo Diário Oficial da União no dia 23.

Os governos Lula e Biden tiveram um início amistoso na nova relação bilateral neste ano, diante de interesses políticos comuns, mas os EUA esperavam que o Brasil não permitisse a chegada das duas embarcações.

Também em resposta ao Estadão, um porta-voz do departamento de Estado americano afirmou que “hospedar embarcações iranianas pertencentes a um regime que está reprimindo brutalmente seu próprio povo no país, fornecendo armas para a Rússia usar em sua guerra de agressão contra a Ucrânia, e engajando em terrorismo e desestabilizando a proliferação de armas pelo mundo envia uma mensagem errada e é uma decisão errada”.

O encontro entre o secretário de Estado, Antony Blinken, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, nesta quinta-feira (2), havia sido entendido pelo Itamaraty como um sinal de que os EUA não intensificarão a pressão a respeito do tema. A questão dos navios iranianos, segundo fontes envolvidas no encontro, não foi levantada por Blinken.

No Itamaraty, a leitura feita é de que, a despeito da pressão, os americanos “entenderam o recado” enviado por Brasília de que a questão envolve o Brasil como um país soberano e sua relação com outro país soberano, o Irã.

Parlamentares republicanos pressionam o governo Biden a, inclusive, adotar sanções contra o Brasil. O Departamento de Estado não mencionou sanções e também não comentou qual a posição dos EUA sobre o pleito de republicanos.

Em nota no dia 27 de fevereiro, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, onde os republicanos têm maioria, Michael McCaul, avaliou como “totalmente inaceitável” a decisão do governo Lula. No dia seguinte, o senador Ted Cruz, que integra a mesma comissão no Senado, onde a maioria é democrata, disse que ela “ameaça” a segurança dos americanos e pediu que Biden aplique sanções ao Brasil. Os dois legisladores são republicanos do Texas.

No último dia 15, a nova embaixadora dos EUA enviada por Biden a Brasília, Elizabeth Bagley, foi enfática sobre a posição do país em declaração pública, quando disse que os navios “não deveriam atracar em nenhum lugar”. Na ocasião, ela negou que o assunto tenha sido discutido entre Lula e Biden na Casa Branca, mas confirmou que o Departamento de Estado levou a questão para análise do governo brasileiro, por meio do Itamaraty.

*AE

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