À falta de ideia melhor, Lula abrigará no governo quem fizer o L

0
image (12)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o programa "Conversa com o Presidente", na terça-feira (4). Foto: Lula

Por Ricardo Noblat

No regime brasileiro meio presidencialista e meio parlamentarista, como governar sem dispor no Congresso de uma sólida e expressiva bancada de deputados federais e senadores?

Respostas em carta, um tanto fora de moda, devem ser enviadas ao Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes, Brasília-DF, CEP: 70150-900, aos cuidados de Luiz Inácio Lula da Silva.

Se preferir usar a internet, o e-mail é: assentimento@presidencia.gov.br

O telefone do palácio é: (61) 3411-1221. Mas não adianta ligar e pedir para falar com o presidente. Ele não atende neste número. O dele vive a mudar. Lula prefere atender no número dos outros.

Tem razões de sobra para isso, à frente delas, o fato de já ter sido grampeado pela Lava-Jato, o que lhe rendeu uma condenação de 580 dias em uma sala minúscula da Polícia Federal, em Curitiba.

Se não tiver algo de muito original a propor, capaz de contrariar tudo o que Lula julga ter aprendido no exercício dos mandatos anteriores, não lhe escreva. Será perda de tempo – no caso, o seu.

Confrontado com a pergunta sobre como governar sem apoio suficiente, o PT convenceu-se de que Lula está certo ao pedir ajuda a partidos que por ora se lhe opõem ou são indiferentes.

Os indiferentes se dizem independentes. Não acredite nisso. Estão apenas à espera da melhor oferta de cargos e de outras benesses para aderir ao governo. Os partidos de oposição… Quais?

O PL de Valdemar Costa Neto, em parceria ocasional com Bolsonaro, está a ameaçar de expulsão os que fizerem o L. Um deputado cearense fez, posou para fotos sorridente e foi expulso.

Costa Neto, não Bolsonaro, entende que deputados e senadores do PL, por diferentes motivos, ou sob a alegação de que “os superiores interesses do país” assim exigem, votem com o governo.

Muitos têm votado, mas desde que não façam ostensivamente o L. O PSB apoiou a eleição de Lula e conta com três ministros (Geraldo Alckmin, Flávio Dino e Márcio França).

Mas, seu presidente começou a estrilar porque um deles, Márcio França, ministro de Portos e Aeroportos, talvez seja obrigado a ceder o cargo ao deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE).

O ministério de Portos e Aeroportos foi criado para acomodar França, que renunciou à candidatura ao governo de São Paulo, no ano passado, para apoiar Fernando Haddad (PT), que perdeu.

O Republicanos apoiou Tarcísio de Freitas, candidato do partido que se elegeu governador, e Bolsonaro, derrotado por Lula. Seu presidente, Marcos Pereira (SP), diz que o partido é independente.

Pereira e Lula sempre se deram muito bem. Lula jamais esquece que, em agosto de 2019, Pereira foi o único líder da base bolsonarista a sair em sua defesa quando ele estava preso.

Uma decisão judicial, mais tarde suspensa por ordem do Supremo Tribunal Federal, autorizou a transferência de Lula para um presídio comum em Tremembé, São Paulo. Pereira indignou-se:

“Existe ilegalidade nessa decisão de transferência”.

Falam por aí que o próprio Pereira admitiria fazer o L e virar ministro. Ele quer suceder a Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2005.

Ser ministro até lá só lhe faria bem. Mas comportar-se como se independente fosse, também não lhe faria mal. Dirá que Sílvio Costa Filho foi uma escolha pessoal de Lula que será respeitada.

De resto, se Lira, que apoiou Bolsonaro, emplacará um ou mais ministros no governo Lula, por que ele, Pereira, não pode? Pereira, pastor evangélico, é filho de Deus, mais do que Lira parece ser.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...