À PF, Mauro Cid diz que ‘não acreditava em golpe’
Jair Bolsonaro e Mauro Cid. Foto: Reprodução
Em novo depoimento à Polícia Federal (PF), o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que não acreditava na possibilidade de um “golpe de Estado” para manter o ex-chefe do Executivo no poder.
Depois de acessar o celular de Cid, a PF concluiu que ele reuniu documentos para dar suporte a uma intervenção militar ou Estado de sítio depois das eleições. Conforme noticiou o portal G1, o tenente-coronel foi ouvido na sexta-feira, 30 de junho.
Há quase dois meses, Mauro Cid está preso no Batalhão da Polícia do Exército. Ontem, ele deixou o local e passou cerca de quatro horas na sede da PF, em Brasília. Cid já havia sido chamado para depor antes, mas, na ocasião, ficou em silêncio. A defesa alega que não tem acesso à investigação.
Segundo os documentos encontrados no celular de Mauro Cid, a intervenção militar se justificaria porque o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral teriam cometido abuso de autoridade no pleito. Nesse cenário, Bolsonaro teria sido prejudicado, e o presidente Lula, então candidato, favorecido.
“Afinal, diante de todo o exposto e para assegurar a necessária restauração do Estado Democrático de Direito no Brasil, jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas da Constituição Federal de 1988, declaro o Estado de sítio; e, como ato contínuo, decreto Operação de Garantia da Lei e da Ordem”, informa o documento de Cid.
O depoimento do militar foi enviado ao STF. De acordo com a polícia, as provas obtidas no celular de Cid confirmam a hipótese de que ele participou da tentativa de um “golpe de Estado”.
“Seja por meio de induzimento e instigação de parcela da população aderente à ideologia política professada, seja por meio de atos preparatórios e executórios propriamente ditos”, explicou a PF. Mauro Cid deve depor na próxima terça-feira, 4 de julho, na CPMI do 8 de janeiro.