Acusação de espionagem acirra embate entre João Campos e Raquel Lyra em Pernambuco
Governadora Raquel Lyra e prefeito João Campos durante reunião em janeiro de 2024 - Hesíodo Goés/Governo de Pernambuco
A acusação de espionagem da Polícia Civil de Pernambuco sobre um secretário da Prefeitura do Recife se tornou mais um capítulo nos atritos entre o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD). Eles devem se enfrentar nas eleições deste ano.
Conforme reportagem veiculada pela TV Record no domingo (25), Gustavo Queiroz Monteiro, secretário municipal de Articulação Política e Social, foi seguido por policiais civis de agosto a outubro de 2025. Os agentes acompanhavam o carro utilizado por ele e pelo irmão dele, Eduardo, e trocavam mensagens em um grupo. Em setembro, houve a instalação de um rastreador no veículo, sem ordem judicial.
Em entrevista coletiva na segunda (26), o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, confirmou que houve o monitoramento a partir de uma denúncia anônima de que “poderiam estar ocorrendo entregas de valores a título de propina em contratos firmados pela Prefeitura do Recife com fornecedores diversos”.
Por ter sido feita uma denúncia anônima, segundo ele, houve uma checagem preliminar, mas não foi constatada a entrega de pacote ou dinheiro, conforme havia sido relatado, e, por isso, o caso teria sido arquivado. Ele afirmou que não havia a necessidade de ordem judicial para a instalação do rastreador.
Nas redes sociais, no entanto, o prefeito João Campos classificou o episódio como perseguição.
“Eu queria dizer a vocês que tudo isso não vai ficar impune. Porque não vale tudo pra disputar uma eleição. Não vale tudo dentro de uma instituição tão séria como a Polícia Civil com mais de 200 anos. Vou tomar todas as medidas cabíveis na Justiça”, disse.
Ele também afirmou ser alvo de uma “grande rede de ódio” e de investigações com motivação política desde 2024, citando que uma apuração sobre creches arquivada pela polícia foi reaberta em período eleitoral e depois novamente arquivada após sua reeleição naquele ano.
Raquel Lyra, na terça-feira (27), defendeu o trabalho da Polícia Civil e disse que o papel de investigação foi cumprido “dentro da legalidade”. Afirmou ainda que a denúncia recebida era grave e que “ninguém está acima da lei”. “A gente precisa, claro, sempre combater a corrupção.”
Em postagem nas redes sociais, a governadora também enumerou ações de sua gestão e escreveu: “Aqui a caneta não faz barulho. Faz entrega. Resolve. A gente usa do jeito certo: pra governar Pernambuco e cuidar de todos os pernambucanos”.
Nos últimos meses, o prefeito e a governadora enfrentaram crises em suas gestões. No início de janeiro, João Campos tornou-se alvo de um pedido de impeachment na Câmara Municipal, acusado de interferir irregularmente no resultado de um concurso público para procurador do Recife.
Além disso, o PSB, partido do qual é presidente, emprega desde 2023 um ex-secretário do governo de Pernambuco que é acusado pelo Ministério Público Federal de corrupção passiva e que foi alvo de operação da Polícia Federal.
Raquel Lyra, por sua vez, teve desgastes já que a empresa de ônibus de sua família, a Logo Caruaruense, operou por três anos anos sem a devida fiscalização da EPTI (Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal), órgão do governo estadual. Ela também foi alvo de um pedido de impeachment por conta do caso.
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