Agente de imigração dos EUA mata mulher a tiros durante fiscalização em Minneapolis

0
image (10)

Pessoas se aproximam de local onde um agente de imigração matou uma mulher, em Minneapolis, no estado de Minnesota - Tim Evans/Reuters

Um agente de imigração dos Estados Unidos matou a tiros uma motorista em Minneapolis na quarta (7), em meio a uma onda de fiscalização imigratória, segundo autoridades locais e federais. Este foi o mais recente incidente violento durante a repressão nacional contra imigrantes promovida pelo presidente Donald Trump.

Os disparos levaram manifestantes às ruas próximas ao local, alguns dos quais foram recebidos por agentes federais, fortemente armados e usando máscaras de gás, que dispararam munições químicas contra os manifestantes.

Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, afirmou em uma publicação que o agente do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) começou a atirar depois que um “manifestante violento” tentou atropelar os agentes.

“O suposto agressor foi atingido e está morto”, escreveu ela. “Espera-se que os agentes do ICE feridos se recuperem totalmente.” A agência de notícias Reuters não conseguiu confirmar imediatamente os detalhes de como o incidente ocorreu.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, culpou o governo Trump por aumentar as tensões em torno da fiscalização imigratória. “A presença de agentes federais de imigração está causando caos em nossa cidade”, publicou Frey, um democrata, no X. “Exigimos que o ICE deixe a cidade imediatamente. Estamos firmemente ao lado de nossas comunidades de imigrantes e refugiados.”

Trump afirmou que o caso parece ter sido um ato de legítima defesa. “A mulher que dirigia o carro estava muito agitada, obstruindo e resistindo, e então, de forma violenta, intencional e cruel, atingiu o agente do ICE, que aparentemente atirou nela em legítima defesa”, disse nas redes sociais.

O governador de Minnesota, Tim Walz —que concorreu à vice-Presidência ao lado de Kamala Harris em 2024—, criticou o governo do republicano por sua resposta ao incidente, que classificou de “terrorismo doméstico”. “Não acreditem nessa máquina de propaganda. O estado garantirá uma investigação completa, justa e célere para garantir a responsabilização e a justiça”, escreveu.

Um carro SUV escuro com um buraco de bala no para-brisa e sangue espalhado pelo encosto de cabeça foi visto batendo em um poste na rua coberta de neve onde a ação ocorreu. O comandante da Patrulha da Fronteira dos EUA, Gregory Bovino, que liderou outras operações de fiscalização em Chicago, Charlotte e Nova Orleans, também estava no local.

Venus de Mars, uma moradora de Minneapolis de 65 anos que vive perto do local, descreveu ter visto paramédicos realizando manobras cardíacas em uma mulher caída ao lado de um monte de neve perto do carro atingido. Logo depois, eles a colocaram em uma ambulância que partiu sem as sirenes ligadas.

“Houve muita atividade do ICE, mas nada parecido com isso”, disse Mars. “Estou com muita raiva. Estou com muita raiva e me sinto impotente.”

Trump enviou agentes federais de imigração para cidades governadas por democratas nos EUA durante 2025, o que gerou reações negativas dos moradores. Nas últimas semanas, agentes foram enviados a Minneapolis após acusações de fraude envolvendo imigrantes somalis, que Trump chamou de “lixo”.

A expectativa para 2026 é de que o cerco a imigrantes fique ainda mais acirrado, com bilhões de dólares em novos recursos —inclusive com mais operações em locais de trabalho— mesmo diante do aumento da reação contrária às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato do próximo ano.

O ICE e a Patrulha de Fronteira receberão US$ 170 bilhões em recursos adicionais até setembro de 2029. Trata-se de um aumento gigantesco em relação aos orçamentos anuais atuais, de cerca de US$ 19 bilhões.

Miami, uma das cidades mais afetadas pela repressão de Trump devido à sua grande população imigrante, elegeu em dezembro sua primeira prefeita democrata em quase três décadas. Outras eleições locais e pesquisas sugerem preocupação crescente entre eleitores por causa das táticas agressivas de combate à imigração.

A taxa de aprovação de Trump em relação à política de imigração, que era seu tema mais forte, caiu de 50% em março, antes de lançar repressões em várias grandes cidades dos EUA, para 41% em meados de dezembro.

Com Reuters

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...