Além de Mauro Cid, cúpula da CPMI estuda propor acordo de delação premiada a outros investigados
Mauro Cid. Foto: Reprodução
Por Mayara da Paz e Luciana Amaral
A cúpula governista da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos extremistas de 8 de janeiro estuda propor um acordo de delação premiada a qualquer investigado que queira contribuir com o trabalho do colegiado, segundo apurou a reportagem.
A ideia dos integrantes que estão à frente da comissão e que são aliados ao Palácio do Planalto é que quem colaborar com informações e provas receba, em troca, uma possível redução de eventuais penas no fim das investigações da CPMI.
Segundo informação da coluna “Painel”, do jornal Folha de S.Paulo, a cúpula da comissão mista está articulando a proposta de um acordo de delação premiada ao tenente-coronel Mauro Cid.
Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Cid é investigado no suposto envolvimento nos atos golpistas, quando bolsonaristas radicais invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
O militar também é alvo de operação da Polícia Federal (PF) que apura a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde.
De acordo com relatos feitos à reportagem, as conversas sobre um eventual acordo de delação premiada com os investigados continuam no início e só devem avançar após um parecer favorável da Advocacia do Senado Federal, consultada sobre o assunto.
Além de Mauro Cid, outros investigados pela CPMI dos atos golpistas são: a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), o ex-ministro Anderson Torres e o hacker Walter Delgatti Neto.
Falta de consenso
Apesar da ideia de acordo de delação premiada, o assunto não é consenso entre os integrantes da CPMI.
À reportagem, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) disse que não acredita, por exemplo, que Mauro Cid, ex-ajudante de Bolsonaro, aceite colaborar com o colegiado. Segundo ele, os governistas deram início aos trabalhos da comissão com o relatório final “pronto” e “parcial”.
“A ida dele [Mauro Cid] na CPMI de farda tem uma simbologia. O verdadeiro militar não faz delação. Na formação, o militar aprende a resistir até sob tortura a qualquer delação. A delação premiada perdeu credibilidade quando foi utilizada sem limites na Lava Jato”, afirmou.
Do outro lado, nem integrantes da comissão aliados ao Palácio do Planalto acreditam que o assunto vá avançar. “Já roda isso faz tempo. Não creio mais”, disse à reportagem um parlamentar da base governista.