Análise: Com saída de Biden, eleições americanas recomeçam do zero, e troca é dor de cabeça para Trump

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Joe Biden em discurso. Foto: Reprodução/Vídeo Redes Sociais

Por Eduardo Graça

A retirada de Joe Biden da corrida presidencial americana não deixa apenas o Partido Democrata mergulhado na incerteza. Os estrategistas republicanos se preparam, há mais de dois anos, para enfrentar o presidente nas urnas em novembro. A principal linha de raciocínio oferecida pelo trumpismo aos eleitores era fazer uma comparaçåo direta entre o atual governo e o de seu antecessor: “Bote a mão no bolso e confirma se tem mais ou menos dinheiro do que há quatro anos”.

Com o tenebroso desempenho de Biden no primeiro debate presidencial ficou mais fácil transformar o pleito em um plebiscito sobre o governo e a capacidade de Biden de seguir no comando do país por mais quatro anos. O atentado na semana passada na Pensilvânia aumentou ainda mais a confiança dos republicanos. Agora, dependendo de quem entrar no topo da chapa democrata, a eleição se transforma por completo.

Se a substituta de Biden for a vice-presidente Kamala Harris, que já recebeu o apoio de seu companheiro de chapa na vitoriosa disputa em 2020, ela enfrentará questões difíceis de responder: a primeira delas até onde sabia da decadência física e mental do presidente. Também responderá diretamente por todos os atos de governo dos últimos quatro anos, incluindo a política de imigração, com recorde de entrada de pessoas em situação irregular no país e os efeitos da inflação na vida dos eleitores, tanto o bolso mais vazio usado por Trump como o aumento de preços dos alimentos e dos aluguéis.

As duas maiores forças internas na derrubada de Biden foram o ex-presidente Barack Obama, nos bastidores e, de forma mais pública, a ex-presidente da Câmara e deputada Nancy Pelosi. Os dois temiam que a fragilidade de Biden levassem o Partido Democrata a uma derrota histórica em novembro, com um quadro desolador: Trump na Casa Branca, maiorias republicanas no Senado e na Câmara, domínio conservador na Suprema Corte. Os dois preferem novas primárias, com candidatos avulsos.

O anúncio de apoio de Biden pode ter sido uma tentativa do predidente, que seguirá no comando do país até 20 de janeiro, de pelo menos conduzir o processo de sua eventual substituta na corrida eleitoral.

Dentre os nomes preferidos pelos caciques do partido, além da vice, que é próxima tanto de Pelosi quanto de Obama, destacam-se o governador da Calfórnia, Gary Newson, que curiosamente já foi casado com a atual mulher de Donald Trump Jr.; a governadora do estado decisivo do Michigan, Gretchen Whitner; o governador Josh Shapiro, da Pensilvânia; e o senador Cory Booker, negro e de Nova Jersey. Esses quatro eram os nomes, além da vice, primeira presidente, em caso de vitória, negra e asiática, os que mais preocupavam os republicanos, estrategistas e caciques regionais do partido, na Convenção que terminou na quinta-feira.

Gretchen tem como vantagem a capacidade de assegurar, em teoria, a vitória no Michigan, estado decisivo em novembro, assim como suas posições mais moderadas, exatamente como Shapiro que, por sua vez, é ultrapopular em sua Pensilvânia, outra unidade da federação fundamental para os democratas. Booker tem a aura de um novo Obama. E Harris o fato de ser uma voz forte na área da segurança pública, calcanhar se Aquiles da esquerda. Qualquer um deles, e especialmente se aprovados por novas primárias, dão muito mais dor de cabeça a Trump do que Biden. A pouco menos de quatro meses do voto, as eleições americanas recomeçaram do zero.

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