Antes crítico das emendas de relator, PT vota para salvá-las

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Lula. Foto: Reprodução

Por Paulo Moura

O PT, partido do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, votou em peso, na Câmara, a favor do projeto de resolução que altera as regras de aplicação das emendas de relator. A iniciativa foi aprovada na sexta (16), no Congresso, para tentar assegurar uma vitória no Supremo Tribunal Federal (STF), que julga uma ação sobre elas.

Dos 49 deputados do PT presentes à sessão, 44 votaram a favor da resolução, três contra e dois se abstiveram. Somente divergiram da orientação da liderança os deputados Vander Loubet (MS), Henrique Fontana (RS) e Maria do Rosário (RS). Já no Senado, foram três votos favoráveis ao projeto, um contra e duas abstenções.

Na campanha, Lula não poupou críticas às emendas, que foram chamadas por parte da imprensa de “orçamento secreto”. O petista classificou a prática como “bandidagem”, “excrescência política” e afirmou que Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, exercia o poder como um “imperador do Japão”.

Após vencer a eleição, porém, o petista foi mudando o discurso, até evitar qualquer polêmica sobre o tema, desde que houvesse “transparência” e alinhamento com prioridades do governo. Após a votação sobre a medida, o partido de Lula foi criticado por diversos atores políticos, que acusaram a sigla de incoerência.

– Eu acho que é uma incoerência brutal do PT – disse o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

– Até o PT votou a favor do que o Lula em campanha criticou e prometeu acabar – afirmou no Twitter o deputado Alexandre Frota (PROS-SP), que apoiou o petista no segundo turno.

O placar foi de amplo apoio à aprovação do texto, tanto na Câmara como no Senado. Entre os deputados, o projeto recebeu 328 votos a favor – 20 a mais do que o necessário para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) – e 66 contra. No Senado, o placar ficou em 44 a 20.

COERÊNCIA?
Após a repercussão negativa ao comportamento do partido, o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), disse não ver incoerência e afirmou que, com o projeto aprovado no Congresso, os parlamentares dão “o mínimo de transparência” às emendas de relator.

– Quebramos o secreto do orçamento secreto (…). Agora, o que acontece? Estamos em um momento em que a gente tem de aprovar um processo de adaptar o Orçamento da União para a gente poder começar o governo com o que nós propusemos a governar. Estamos dedicados a isso – declarou.

*AE

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