Após ‘bolo’ de Trump, Milei diz que mudará legislação argentina para amenizar tarifas

Javier Milei, presidente eleito da Argentina, prometeu na campanha fechar o BC e dolarizar a economia — Foto: Agustin Marcarian/Reuters
Javier Milei voltou à Argentina na sexta-feira (4) sem nem ao menos uma foto com o colega norte-americano, Donald Trump, após uma visita relâmpago que fez aos Estados Unidos.
Determinado a trabalhar “lado a lado” com os Estados Unidos, o presidente argentino disse em Mar-a-Lago que modificará a legislação para atender às exigências das novas tarifas de Trump.
Milei chegou à Flórida em meio à guerra comercial desencadeada pela última onda de tarifas anunciada pelo presidente republicano. Muitos países estão considerando medidas retaliatórias, mas a Argentina de Milei, ultraliberal, prefere se adaptar.
“A Argentina avançará para adaptar sua legislação para que possamos atender aos requisitos da proposta de tarifas recíprocas elaborada” por Trump, disse Milei, segundo seu gabinete, no American Patriots Gala, organizado pela fundação ‘Make America Clean Again’ (MACA) e pela ONG We Fund The Blue.
“Já cumprimos nove dos 16 requisitos necessários”, especificou.
A Argentina não será alvo das “tarifas recíprocas” mais graves: o país será taxado apenas no mínimo universal de 10%, como o Brasil. Washington alega que impôs as taxas calculando as barreiras alfandegárias e não tarifárias que os países impõem à entrada de produtos americanos, como regulamentações sanitárias e padrões ambientais.
Milei também prometeu “avançar com a harmonização de tarifas sobre uma cesta de quase 50 produtos”. Ele considera isso “um passo à frente” para “avançar em um acordo comercial” no qual “tarifas e barreiras comerciais sejam apenas uma má lembrança do passado”.
Em março, Trump disse que estava aberto a analisar essa possibilidade. E Milei, a quem Trump chama de “grande líder”, está disposto a retirar, se necessário, a Argentina do Mercosul, o bloco que inclui cinco países sul-americanos como membros permanentes.
Os progressos mencionados por Milei no evento, em meio a aplausos, foi possível, segundo ele, graças às reuniões entre o chanceler, Gerardo Werthein, o Departamento de Estado e a Secretaria de Comércio dos EUA.
“Entendimento mútuo e otimismo para o futuro entre nossas nações”. Assim, a chancelaria resumiu a reunião realizada na quinta-feira entre Werthein, o secretário de Comércio, Howard Lutnick e o representante comercial, Jamieson Greer em Washington.
“Para tornar a Argentina grande novamente (…) precisamos trabalhar lado a lado, como parceiros estratégicos com objetivos comuns” com os EUA, disse Milei, que busca apoio para negociar um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A Casa Rosada conta com um sinal de apoio de Trump nas negociações dos argentinos com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e também busca um alívio para a Argentina nas tarifas de 10% (como as que recebeu o Brasil) sobre importações impostas pela Casa Branca a diferentes países.
Fontes ligadas ao governo chegaram a circular a informação de que Milei poderia anunciar ainda na quinta-feira (3), durante a viagem, que o país receberia um tratamento especial no tarifaço de Trump, demonstrando a afinidade entre os dois presidentes, o que ao menos até agora não ocorreu.
Em nota, a chancelaria afirmou que o país vai gerar condições que permitam, no futuro, uma revisão das medidas adotadas por Trump, ao mesmo tempo em que destacou a vontade de avançar em uma agenda voltada para o fortalecimento dos fluxos comerciais entre as duas economias.
O presidente argentino deixou clara sua preferência em seu discurso em Mar-a-Lago, residência particular de Trump no sul da Flórida, onde recebeu o prêmio “Lion of Liberty”.
Também foram homenageados a empresária argentina Natalia Denegri e o ator e ativista político mexicano Eduardo Verástegui.
A viagem acontece em meio a negociações com o FMI para um empréstimo de US$ 20 bilhões (R$ 112 bi), do qual Buenos Aires busca uma primeira parcela de mais de 40%.