Após PEC, ministros do STF veem governo omisso, cobram líder e discutem reação
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília — Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
Por Andréia Sadi
A votação da PEC que limita poderes do supremo aprovada anteontem (22/11) pelo Senado caiu como uma bomba no STF.
Ministros da corte ouvidos por esta reportagem avaliam que a omissão do governo Lula foi decisiva para o placar – apertado, mas suficiente – para aprovar a proposta e cobraram o líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner.
Segundo esta reportagem apurou, Wagner ouviu de ministros do STF que seu voto é de uma gravidade, pois, além do simbolismo pela função que ocupa, consolida “uma vitória para o bolsonarismo”.
Além disso, foi lembrado a Wagner – segundo relatos obtidos por esta reportagem – que o governo Lula só voltou ao poder após decisões do STF.
Ministros, agora, discutem reação à aprovação – além de contar com a possibilidade de Arthur Lira não dar andamento ao projeto na Câmara.
Uma das discussões na mesa do STF é um mandado de segurança que pode travar esse tipo de decisão que interfira na separação de poderes.
Ministros ouvidos por esta reportagem não são contra discutir o mérito da proposta, mas, sim, o momento da aprovação em meio a flertes com golpismo que veem na corte sua principal ameaça.
Por isso, consideram fatal o que chamam de “indiferença” do governo Lula ao não trabalhar para derrotar a proposta.