Apresentador acusado de dar golpe do Pix tenta censurar reportagem da Record sobre caso

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Jornalista Marcelo Castro é suspeito de desviar recursos de doações feitas por pix em programa de TV - Reprodução / Instagram

O apresentador Marcelo Castro, conhecido por apresentar o programa Alô Juca, da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, foi à Justiça pra tentar censurar previamente uma reportagem da Record que está prevista par ir ao ar neste fim de semana no Domingo Espetacular. Seu pedido, porém, foi negado.

Marcelo é réu na Justiça da Bahia por, segundo o processo, liderar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 500 mil em doações feitas por Pix para pessoas pobres que eram ajudadas pelo Balanço Geral Bahia, exibido pela própria Record, entre 2022 e 2023. Procurada, a Record não comenta casos judiciais. A defesa de Marcelo Castro não respondeu aos contatos feitos.

Esta reportagem teve acesso aos documentos do pedido de liminar de Castro. O caso está na 4ª Vara Cível de Salvador e foi apreciado no início da noite da sexta (14) pelo juiz João Garcia Perez Garcia.

Em seu pedido, Marcelo Castro alega que a reportagem tem como objetivo “prejudicar sua imagem pública, tendo em vista ser um grande âncora jornalístico, líder de audiência em seu horário”.

A defesa do jornalista diz que a Record também tenta macular a opinião pública às vésperas da audiência de instrução do caso, marcada para acontecer ainda neste mês.

“A reportagem anunciada poderá ser veiculada a qualquer momento, alcançando público de ampla dimensão e provocando abalo imediato e irreversível à imagem e à reputação profissional de Marcelo Castro”, conclui a defesa. A Record, procurada, não se manifesta sobre casos jurídicos.

Na reportagem prevista para domingo (16), a Record promete entrevistar as vítimas que sofreram golpes com o suposto esquema do apresentador. Será a primeira vez que elas falam sobre o assunto publicamente.

O magistrado negou o pedido de liminar de Marcelo Castro. Segundo ele, não existem argumentos no pedido que provaram um possível ar sensacionalista. Além disso, segundo o juíz, o caso é de interesse público.

“A alegação de que a reportagem viola o segredo de justiça de um processo criminal, por si só, nãoautoriza a proibição de sua divulgação. É necessário ponderar o interesse público na informação e a proteção da honra”, afirmou Garcia em sua decisão.

Relembre o caso

Castro foi demitido em 2023 pela Record acusado de liderar uma organização criminosa com 12 pessoas, que desviava doações feitas para pessoas que precisavam de ajuda, de 2022 até 2023. O fato, segundo a Justiça, acontecia quando Castro ainda era repórter da Record.

O grupo teria se apropriado de R$ 407,1 mil, o equivalente a 75% dos R$ 543 mil doados pelos telespectadores do programa. De acordo com a investigação, R$ 146,2 mil teriam ficado com Castro, e R$ 145,7 mil repassados para Jamerson Oliveira, ex-editor chefe do Balanço Geral, e que foi trabalhar com Castro na afiliada do SBT.

O desvio, segundo a Justiça, acontecia da seguinte forma: o grupo arrecadava as doações e destinava aos necessitados por menor parte do valor por meio de chaves Pix exibidas na tela do programa da Record. As chaves não eram de quem, de fato, pedia ajuda, e sim de pessoas ligadas ao esquema.

Após cada programa, o montante arrecadado era distribuído a partir das contas que recepcionavam as doações por seus respectivos titulares. Eles, ainda de acordo com a Justiça, seguiam as orientações dos líderes do grupo, que ficavam com a maior parte do dinheiro.O caso só foi descoberto em março de 2023, após o jogador de futebol Anderson Talisca fazer uma doação de R$ 70 mil.

O valor era para a família de Guilherme, de 1 ano, que fazia um tratamento de câncer. Em contato com Marcelo Castro, contudo, um assessor do jogador viu que o número do Pix repassado para doação não era o mesmo que apareceu na televisão durante a exibição da reportagem.

A Record demitiu Marcelo Castro e Jamerson Oliveira. A criança mostrada na reportagem morreu semanas depois. Marcelo e Jamerson negam qualquer envolvimento no caos. Após a demissão, a dupla criou o site Alô Juca, que virou sucesso nas redes sociais.

Com o êxito, foram contratados pela TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia. Desde abril do ano passado, o Alô Juca acirrou a briga pela audiência na faixa mais nobre da TV local no Brasil: a hora do almoço, entre 11h e 14h. O SBT passou a brigar com pela liderança com Globo e Record.

Em março, Castro foi condenado a indenizar a emissora de Edir Macedo em R$ 10 mil, em primeira instância, por ter prejudicado a imagem da Record. Foi a primeira condenação que ele sofreu sobre o assunto.

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