Apuração sobre traficante solto com mandado de prisão é arquivada
Traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha. Foto: Divulgação
A Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro arquivou uma sindicância interna que apurava a soltura do traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, que tinha um mandado de prisão em aberto por homicídio quando deixou a cadeia em 27/7. A informação foi confirmada pela pasta ao Metrópoles nesta terça-feira (9/11).
A soltura gerou atrito entre a Seap, o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) e a Polícia Civil. Embora a Justiça tenha enviado para a Seap o mandado expedido pela 3ª Vara Criminal da Capital no dia 15/7 às 14h32, o documento não constava no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP 2.0), única fonte consultada para checar este tipo de registro. Com isso, foi cumprido o alvará de soltura relativo a outro processo respondido por Abelha, na 29ª Vara Criminal.
A sindicância investigava se o ex-secretário de Administração Penitenciária Raphael Montenegro foi o responsável pela soltura. Ele ficou preso por cinco dias após ser detido em uma operação da Polícia Federal, acusado de negociar trégua com criminosos e visitá-los em presídios de segurança máxima. Foi o caso do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, detido em Catanduvas (PR).
Um vídeo flagrou o momento em que Abelha teria cumprimentado Raphael Montenegro no dia em que foi solto. As imagens mostram o criminoso caminhando enquanto é abordado por um carro da Seap, onde estaria o ex-secretário. Eles apertam as mãos e Abelha segue para fora da cadeia.
Em nota enviada nesta terça, a Seap explicou que não haveria como a Corregedoria responsabilizar Montenegro administrativamente, porque ele deixou de ser servidor da pasta. “Neste caso, o responsável pela investigação poderia ser acusado, inclusive, de abuso de autoridade”, afirmou a Seap.
A secretaria ressaltou que houve uma falha no sistema de alvarás de soltura, o que fez com que Abelha fosse solto sem impedimentos. O processo que apura o envolvimento de outros servidores da Seap continua por meio de processo administrativo. Além disso, o Ministério Público do Rio (MPRJ) recebeu uma cópia do processo e tem autonomia para fazer uma avaliação própria.
O traficante
Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, faz parte do “conselho” do Comando Vermelho, que, segundo a polícia, tem como funções: planejamento estratégico e execução tática; coordenação de atos ilícitos; invasões territoriais às comunidades dominadas por grupos rivais; ataques a policiais; escolha das lideranças locais; organização financeira; vinganças; entre outros crimes.
Ele é acusado de ordenar, de dentro da prisão, que um dos chefes do Complexo da Penha, na zona norte, Edgard Alves de Andrade, o Doca, participasse da invasão do Morro da Mineira, uma das comunidades do Complexo do São Carlos, na região central do Rio. No confronto por pontos de drogas, no final de agosto de 2020, Ana Cristina Silva, 25 anos, foi baleada na cabeça e na barriga ao tentar proteger o filho de 3 anos dos disparos. Ela não resistiu aos ferimentos.