Armas e motores estão entre os mais beneficiados por decisão da Suprema Corte dos EUA, diz Alckmin

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Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin — Foto: Vinícius Cassela/g1

por Folha de S.Paulo

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou na sexta-feira (20) que fabricantes de armamentos, máquinas, motores e madeira estão entre os setores da economia nacional mais beneficiados pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que decretou a ilegalidade de parte das tarifas impostas por Donald Trump.

Ao todo, os setores beneficiados com a decisão de hoje respondem por 22% em valor das exportações nacionais para o país, segundo Alckmin, que classificou a sentença da Suprema Corte como muito importante para o Brasil.

Em entrevista coletiva na sede do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o ministro ainda minimizou o impacto da taxa global de 10% recém-anunciada por Trump e das taxações setoriais que seguirão afetando setores brasileiros como aço, alumínio e autopeças.

“Nós não perdemos competitividade, porque é 10% geral. O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa 10% mais 40%, que ninguém mais tinha”, disse. “Aí você perdia a competitividade.”

Segundo o vice-presidente, o governo brasileiro vai continuar negociando com os americanos. “Não muda o roteiro. Vamos avançar ainda mais, inclusive com temas não tarifários”, disse Alckmin, citando a exploração de terras raras e minerais estratégicos e investimentos para instalação de data centers no Brasil.

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegais as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump com base na IEEPA (sigla em inglês para Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional).

A decisão atinge a maior parte das tarifas americanas contra outros países e beneficia os cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA citados por Alckmin. As indústrias de máquinas, equipamentos e calçados, por exemplo, agora estão livres do tarifaço.

Aço, alumínio e cobre continuam taxados, no entanto, porque as tarifas contra esses setores foram impostas com base em outra legislação, a chamada Seção 232. Esses setores representam 27% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, segundo especialistas ouvidos pela Folha.

Trump chamou a decisão da Suprema Corte de “desgraça” e dobrou a aposta, prometendo uma nova rodada global de tarifas com alíquotas de 10%. Para tanto, ele diz que usará a Seção 122, que dá poder de taxar importações pelo prazo de 150 dias.

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