geranua-2

Desfile no ball 'Geranua', que acontece em João Pessoa — Foto: Vini Baixa Costura/Arquivo pessoal

Parte significante da cultura LGBTQIA+, a Ballroom vem ganhando espaço na cena artística paraibana. Atualmente, João Pessoa ganha mais vida com o trabalho da Casa da Baixa Costura, Haus of Benvenutty, Casa das Milhões, Kiki House of Perfeytas, entre outras expoentes.

A cena capital se organiza em uma página única, que divulga o trabalho coletivo feito por todas as casas. Além disso, um minidocumentário contando parte do movimento já foi produzido, por Zilmarc Paulino, e mostra como essas potências artísticas estão ocupando espaços públicos da cidade através da ballroom.

A cena Ballroom ainda é desconhecida e considerada um movimento artístico independente. Dorot Ruanne, mãe da Casa da Baixa Costura, cobra, inclusive, que os gestores públicos ofereçam um espaço seguro para a promoção de eventos. Além disso, que se paguem e monetizem seu trabalho.

A falta de visibilidade e espaço em locais institucionalizados são um empecilho que o movimento encontra. Por isso, existem muitas curiosidades e termos da cultura Ballroom que ainda são desconhecidos. Que tal tentar descobrir seus conhecimentos em relação ao assunto?

O que é a cultura ballroom?

Ball 'Geranua', que acontece em João Pessoa

Uma subcultura e movimento cultural político de resistência, criado por pessoas LGBTQIA+

A Ballroom é um movimento de dissidência que surgiu a partir de identidades trans e travestis negras dos Estados Unidos. Parte da cultura consiste em eventos realizados na comunidade, onde dança, performance, moda, música e artes visuais se misturam em uma noite de celebração à essas identidades, que tanto foram oprimidas.

Segundo Dorot Ruanne, mãe da Casa Baixa Costura, a principal questão que centra todo o movimento é cuidar dos semelhantes: “Nesse momento, a maior vítima éramos nós, pessoas pretas dissidentes, então aconteceu essa junção, esse acolhimento, com os corpos que estavam em vulnerabilidade”.

O que seria uma casa de ballroom?

Mother Dorot Ruanne e sua filha, a cantora Bixarte, em cena do clipe OXUM (A NOVA ERA, PARTE I), produzido e dirigido pela Casa da Baixa Costura

Nascida a partir da resistência, autocuidado, afeto e preocupação com saúde da população LGBTQIA+, uma casa de ballroom pode ser uma instituição enquanto local físico, mas antes disso, é um lugar onde as pessoas possam se sentir acolhidas.

Cada casa tem sua liderança, “mães” e “pais” que geralmente são pessoas mais experientes na cena LGBTQIA+ da região e assim conseguem prover a orientação e apoio necessário para seus “filhos”. Com isso, são formadas famílias alternativas que oferecem suporte e segurança para pessoas marginalizadas.

Qual foi a primeira casa de ballroom na Paraíba?

Casa da Baixa Costura promove expressão através da arte trans e travesti negra, na PB. Na foto: Arlinda Trindade, Hiura Fernandes, Bixarte, A Fúria Negr4,  Luna Milhões e Dorot Ruanne para o clipe 'BLACK BITCH TRAVESTI', de Bixarte

Pioneira na Paraíba, a Casa da Baixa Costura é uma instituição, um coletivo, ong e casa de ballroom. Surgiu em 2018, com a mãe Dorot Ruanne.

O que é o vogue, dentro da cultura ballroom?

José Gutierrez, à esquerda, e Madonna no clipe 'Vogue' (1990)

Vogue é um estilo de dança que nasceu dentro da cultura ballroom.

Foi popularizado para além do público LGBTQIA+ a partir da música Vogue (1990), da cantora Madonna, assim como ganhou notoriedade com o documentário Paris is Burning (1991), da diretora Jennie Livingston.

Quais são os três estilos principais do vogue?

Old Way, New Way e Vogue Femme

São casas de ballroom da Paraíba:

Desfile na ball 'Geranua', que acontece em João Pessoa

Com a criação da Casa da Baixa Costura, surgiram outros coletivos de pessoas trans, travestis e não binárias negras na Paraíba. Hoje, a capital também conta com a Haus of Benvenutty, Casa das Milhões e Kiki House of Perfeytas, por exemplo.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...