Bandido morto após ser agredido por vítimas ‘cresceu’ no crime e era ‘conceituado’ em facção, diz polícia
Kaíque Martins Coelho, 30, o Nego Zulu, um dos chefes do PCC no Guarujá (SP)
O bandido que morreu durante um assalto a uma casa após ser desarmado pelas vítimas, levar ‘pauladas’ delas e ainda bater a cabeça no registro de uma piscina foi “criado” em uma facção criminosa que atua no estado de São Paulo. Conforme informações da polícia divulgadas na terça-feira (2/1), Kaique Martins, o ‘Nego Zulu’, era “bem conceituado” entre os criminosos da região.
De acordo com a Polícia Civil, o caso aconteceu na Praia de Pernambuco, em Guarujá (SP). Na ocasião, ‘Nego Zulu’, acompanhado de um comparsa, anunciou o assalto a dois turistas que estavam jogando dominó em frente a uma residência alugada. A dupla mandou as vítimas entrarem na casa.
O portal apurou junto à uma fonte na Polícia Civil, que prefere não ser identificada, que ‘Nego Zulu’ possui uma “longa” ficha criminal, com passagens por roubo e tráfico de drogas.
“Ele conhecia todo mundo [criminosos] e foi criado nisso”, afirmou a fonte. Segundo ela, ‘Nego Zulu’ costumava andar se ‘exibindo’ armado com um fuzil pelas comunidades em Guarujá (SP).
‘Desfile’ de criminosos
Não é a primeira vez que criminosos ‘desfilam’ armados pelas comunidades em Guarujá (SP). No ano passado, a Polícia Civil investigou um vídeo, que circulou nas redes sociais, de um grupo ‘passeando’ com pistolas e fuzis no Morro da Vila Baiana.
Apesar de repetir o mesmo comportamento, não é possível afirmar, porém, que ‘Nego Zulu’ fazia parte do grupo que aparece neste vídeo em específico. A reportagem não localizou a defesa dele até a última atualização desta matéria.
Morte de Nego Zulu
Os ladrões invadiram o local e fizeram a família refém. Eles recolheram diversos pertences dos turistas, entre acessórios pessoais, dinheiro e o restante dos objetos que estavam nos quartos da casa. No local, haviam seis adultos e quatro crianças, que haviam chegado na quinta-feira passada (28/12).
Além disso, a dupla ameaçou e obrigou uma das vítimas a realizarem depósitos via PIX, onde foi feita uma transferência de R$1 mil. Os criminosos solicitaram que outras transações fossem realizadas, mas uma das vítimas não conseguiu desbloquear o celular.
Nesse momento, uma viatura da Polícia Militar em patrulhamento foi vista pelo local, o que preocupou os bandidos. De acordo com a PM, a corporação foi acionada por um morador vizinho, que escutou gritos vindo da residência.
Turistas reagiram
Os criminosos anunciaram que levariam a vítima embora para que outros depósitos fossem realizados. Enquanto os assaltantes planejavam deixar o local, os turistas aproveitaram distração para atacar a dupla.
Após a investida, o comparsa que estava desarmado fugiu do local, levando dois telefones. Já Kaique reagiu efetuando três disparos contra as vítimas. Um deles atingiu a perna de um homem, que foi socorrido à UPA Enseada e segue hospitalizado.
As vítimas desarmaram o criminoso e entraram em luta corporal. De acordo com o boletim de ocorrência, Kaique foi imobilizado após bater a cabeça em um registro próximo à piscina. Em seguida, ele morreu.
Equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) foram acionadas e encaminharam as vítimas à delegacia. O caso foi registrado como roubo, extorsão e homicídio na Delegacia Sede de Guarujá. No local, foi constatado que as vítimas agiram em legítima defesa.
