Bolsonaristas que agora pedem anistia diziam que 8/1 era obra de esquerdistas infiltrados; lembre
Prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) foi invadido no 8 de janeiro
Políticos bolsonaristas que atualmente pedem anistia aos participantes do 8 de Janeiro adotavam no início de 2023 outro discurso sobre os participantes dos atos golpistas.
À época, afirmavam ou sugeriam que os ataques às sedes dos três Poderes tinham sido praticados por infiltrados da esquerda ou de uma suposta articulação do presidente Lula (PT) para desacreditar o bolsonarismo.
Posteriormente, passaram a defender a anistia, muitas vezes sob o argumento de que os manifestantes eram cidadãos comuns, com idosos, mães e donas de casa entre eles.
No começo do mês, bolsonaristas fizeram mobilização em Brasília na qual pediram um perdão amplo aos crimes, o que poderia beneficiar o ex-presidente.
Em outro ato, no Anexo 2 da Câmara, organizações da sociedade civil entregaram documento com 180 mil assinaturas contra o projeto da anistia.
Nunca foi demonstrada qualquer evidência de que os participantes do 8 de janeiro fossem esquerdistas infiltrados.
A tese de que fossem cidadãos comuns de pouca periculosidade, por sua vez, foi rebatida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no julgamento que tornou réus Bolsonaro e mais sete acusados de integrar a trama golpista de 2022.
“Pessoas de boa-fé acabam sendo enganadas pelas pessoas de má-fé que, com pessoas com más intenções e milícias digitais, acabam dizendo que eram velhinhas com a Bíblia na mão, com batom e foram lá só passar um batonzinho na estátua”, afirmou.
No mesmo julgamento, ele disse que, das 497 pessoas condenadas até então pelo 8 de janeiro, só 9% tinham 60 anos ou mais, e 32% eram mulheres.
O também ministro Gilmar Mendes afirmou recentemente ver a mobilização por anistia aos presos pelo 8 de Janeiro como uma tentativa de livrar de condenações os supostos mentores da trama golpista.
Veja a seguir exemplos de políticos que falavam em 2023 em infiltrados no 8 de Janeiro e passaram a defender a anistia.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal
“Eu duvido que uma investigação bem feita, André Fernandes, autor da CPMI, que ela não vai encontrar diversos infiltrados. Certamente o PT está querendo esconder seus apadrinhados que colocou lá para incentivar esses atos” —- Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal, em discurso na Câmara em 7.mar.2023.
“O que estamos assistindo é uma perseguição judicial, essas pessoas são presas politicas, é a narrativa necessária para Alexandre de Moraes dizer que Bolsonaro tinha uma tropa para fazer um golpe de Estado. A anistia é uma pauta prioritária” —– Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal, em 3.abr.2025.
Carlos Jordy (PL-RJ), deputado federal
“Alô, Alexandre de Moraes! Esses petistas infiltrados que promoveram o caos e vandalismo ontem serão responsabilizados? Lula, quer fazer intervenção federal para conter seus vassalos?” —– Carlos Jordy (PL-RJ), deputado federal, em 9.jan.2023.
“Uma mãe de família separada de seus filhos porque escreveu de batom na estatua da Justiça ‘perdeu, mané’ respondendo por diversos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, isso é uma bizarrice, isso na verdade nem deveria ter anistia” —- Carlos Jordy (PL-RJ), deputado federal, em 16.mar.2025.
Coronel Tadeu (PL-CE), ex-deputado federal
“As redes sociais, em especial WhatsApp, estão mostrando diversos manifestantes infiltrados, que provocaram a destruição em Brasília. Fica claro mais uma vez que faltou a investigação em atos anteriores e provavelmente faltará nesses também” —– Coronel Tadeu (PL-SP), deputado federal, em 8.jan.2023.
“A gente não pode parar de brigar por essa anistia” —– Coronel Tadeu (PL-SP), deputado federal, em 12.abr.2025.
André Fernandes (PL-CE), deputado federal
“Estamos aqui para saber a verdade. Foram extremistas? Foram infiltrados? Houve omissão? O que de fato aconteceu no 8 de janeiro?” —– André Fernandes (PL-CE), deputado federal, em 1.mar.2023.
“O povo brasileiro não se calará diante de injustiças. Viemos a São Paulo para dar voz aos que foram silenciados” —– André Fernandes (PL-CE), Deputado federal, em 7.abr.2025 em ato pró-anistia.