Bolsonaro deixa hospital do DF com quadro de infecções pulmonares residuais e volta à prisão domiciliar

0
image (13)

O ex-presidente Jair Bolsonaro chega a hospital em Brasília para realizar exames. - Pedro Ladeira/Folhapress

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez exames no sábado (16) no hospital DF Star, em Brasília, para analisar um agravamento do quadro de refluxo e soluços constantes, problemas com os quais ele convive desde que recebeu uma facada na eleição presidencial de 2018.

Segundo boletim médico divulgado durante a tarde, ele entrou no hospital por volta de 9h e foi liberado às 13h58, para e realizou exames de imagem e laboratoriais para investigar um “quadro recente de febre, tosse, persistência de episódios de refluxo gastro esofágico e soluços”.

“Os exames evidenciaram imagem residual de duas infecções pulmonares recentes possivelmente relacionadas a episódios de broncoaspiração. A endoscopia mostrou persistência da esofagite e da gastrite, agora menos intensa, porém com a necessidade de tratamento medicamentoso contínuo”, diz o documento.

Agora de volta em casa, ele seguirá com tratamento para a hipertensão arterial, o quadro de refluxo e tomará medidas preventivas de broncoaspiração.

O atendimento ocorre com autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, já que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após o magistrado entender que ele desrespeitou medidas cautelares impostas pelo tribunal.

Os médicos de Bolsonaro solicitaram a realização de nove exames, como coleta de sangue, endoscopia, ultrassonografia e tomografias, para avaliação do quadro clínico e dos possíveis tratamentos.

“A solicitação decorre do seguimento de tratamento medicamentoso em curso, da necessidade de reavaliação dos sintomas de refluxo e soluços refratários, bem como da verificação das condições atuais de saúde”, disseram os médicos no pedido.

Após Bolsonaro deixar o hospital, os médicos afirmaram que alguns exames ainda estão com resultado pendente e que ele seguirá tomando remédios em casa. E disseram que a prisão domiciliar exige que o tratamento seja modificado.

“Ele recebe as orientações específicas para este cenário atual. Então são adaptadas”, afirmou o cardiologista Leandro Echenique.

Cláudio Birolini, chefe da equipe cirúrgica, afirmou que as restrições podem impactar negativamente o quadro de saúde, inclusive sobre sua pressão arterial, que registrou níveis altos.

“[Ele] está submetido a uma pressão constante, o presidente é uma pessoa muito ativa, gosta de se comunicar, gosta de estar perto de gente, e ele está privado de tudo isso em razão da prisão domiciliar. Evidentemente isso influencia negativamente em todos os aspectos”, afirmou.

Segundo Birolini, uma das recomendações seria que Bolsonaro praticasse atividade física em sua piscina, o que ele não pode fazer, em razão de estar com tornozeleira eletrônica.

“O fato de ele estar em casa prejudica um pouco a atividade física, então a gente está sugerindo a ele que intensifique um pouco os exercícios, musculação etc… porque ele [também] não pode fazer caminhadas.”

Ele disse, porém, que não cabe à equipe médica opinar sobre as decisões do Supremo.

Bolsonaro cumpre medidas restritivas, como não poder usar celular, não usar redes sociais e só sair de casa com aval do STF. Também só pode ser visitado por pessoas autorizadas pelo tribunal.

O ministro determinou que o ex-presidente apresente, em até 48 horas após os diagnósticos, um atestado de comparecimento ao hospital que contenha a data e os horários do atendimento.

Bolsonaro foi internado pela última vez em 21 de junho, após se sentir mal durante um evento político em Goiás. O ex-presidente tinha os mesmos sintomas: refluxo e soluço.

Na época, o médico Claudio Birolini disse que os exames indicavam um possível quadro de pneumonia viral. Orientou ao ex-presidente tomar antibiótico e repousar por alguns dias. Bolsonaro, porém, retomou suas agendas antes do prazo sugerido pela equipe médica.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...