Bolsonaro faz live com filhos mirando eleição e volta a criticar urnas; leia resumo
Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR
por Matheus Teixeira e Paula Soprana
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez uma “superlive” ao lado dos filhos no domingo (28/1), na qual defendeu suas temáticas ideológicas usuais: críticas ao aborto, à legalização das drogas, ao marco temporal, a uma eventual regulação de mídias sociais, além da defesa pelo voto impresso e pelo acesso facilitado a armas de fogo.
A família tratou de diversos assuntos com a intenção de fazer um chamado ao campo político da direita para as eleições municipais. Solicitou que os espectadores –no YouTube, por volta de 212 mil usuários após uma hora de transmissão– acessassem uma plataforma online de treinamentos, chamada “Ação Conservadora”, guiada pelo deputado federal Eduardo (PL-SP) e o vereador Carlos (Republicanos-RJ).
Com a camisa da seleção de Israel, o ex-presidente abriu a live dizendo que sente saudade do contato direto com o público. Logo começou a falar sobre a situação da Venezuela.
“Houve um acordo entre a oposição e a situação de Nicolás Maduro na Venezuela, o Tratado de Barbados [Acordo de Barbados]. Eles resolveram juntos trabalhar para que sanções americanas deixassem de existir ou fossem atenuadas em troca de eleição livre e justa na Venezuela”, disse, ensaiando um elogio ao sistema de voto impresso ao lado de urna eletrônica, que guiou o plebiscito.
“Só que, o Tribunal Supremo da Justiça decidiu deixar inelegível por 15 anos a maior opositora do Maduro, Maria Corina, e o [Henrique] Capriles. Ou seja, no momento o Maduro não tem oposição na Venezuela”, afirmou, destacando que “lá, a oposição não ganha”.
Depois, citou que a Nicarágua também não tem mais oposição com a ditadura de Daniel Ortega.
Bolsonaro está impedido de disputar eleições por ordem do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que o condenou à inelegibilidade, em junho, em ação sobre mentiras a respeito das urnas em reunião promovida com embaixadores em 2022. Posteriormente, ele foi condenado em uma segunda ação na corte eleitoral, sobre o uso em campanha das comemorações do Bicentenário da Independência.
Na live, o ex-presidente falou bastante sobre “narrativas”, mentiras e redes sociais. Disse que a aprovação do projeto de lei de combate às fake news em trâmite na Câmara dos Deputados seria a “pá de cal na democracia brasileira”.
“A situação em que a gente se encontra, de ex, não é fácil esse tal de ex. A gente tem que falar pouco, até para deixar que o outro lado se pronuncie mais. Se bem que vão perder grande fonte de notícias horríveis, porque a live [do Lula] não vai ter mais”, afirmou.
Ele voltou a fazer críticas ao TSE, numa suposta parcialidade durante a eleição. “Só se derruba página da direita, só se censura quem é conservador no nosso país e projeto não pode passar na Câmara. Quem vai dizer se essa matéria vai ser fake news ou não? O que defendemos é a liberdade e as pessoas que porventura sejam ofendidas que recorram à Justiça, calúnia, difamação.”
“O querido TSE fez campanha nas eleições para que jovens tirassem título de eleitor. E por volta de 80% dos jovens votam na esquerda, votam no PT, então foi campanha do TSE, com toda certeza intenção não foi essa, mas ajudou e muito as eleições de 2022”, disse.
O ex-presidente também fez críticas a Lula, além de alfinetá-lo, dizendo que até quando vai dormir com sua esposa, fala dele. “Parece até, quando Lula vai dormir, em vez de falar ‘eu te amo’, ele fala ‘Bolsonaro’”.
Em muitos acenso à sua base fiel do agronegócio, Bolsonaro reclamou do veto ao projeto do marco temporal para demarcação de terras indígenas e questionou o que leva alguém a chamar o agronegócio de fascista.
Na miscelânea de tópicos explorados, Bolsonaro também afirmou “Polícia Federal não cansa” e insinua que a tese do segundo mandante da morte da vereadora Marielle Franco seria para chegar nele. “Já se começa outra narrativa. A PF, a PF do B, igual existe PC do B, já trabalha com hipótese de um segundo mandante. Ou seja, eles não cansam.”
Bolsonaro também aproveitou para mandar um abraço ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, após atrito público entre ambos. “É um presidente realmente de palavra, que tem nos atendido nessa grande mobilização nacional para buscar candidaturas pelo Brasil”.
Sobre 8 de janeiro, o ex-mandatário lamentou depredações e disse que é preciso punição, mas chamou os presos de pobres coitados.
“Quantas vezes eu recebia de alguém do Supremo, ‘tem 24 horas, 48 horas para fazer isso, informar aquilo’. Por que o Supremo não decidiu acabar com os acampamentos no dia 1º de janeiro, ou 2 de janeiro?”, questionou.
“Agora, se alguém queria dar um golpe, o primeiro interessado em desvendar isso é o Lula, é o ainda ministro da Justiça Flávio Dino. Por que o Dino não dá as imagens [das câmeras]? Se queriam dar um golpe, por que não apresentam as imagens? Por que quando aconteceu o lamentável quebra-quebra em Brasília, toda imprensa colocou o magrinho derrubando o relógio com minha imagem na estampa [da camiseta]?”
Em outro momento, Bolsonaro indicou que pretende indicar Ricardo Araújo como vice de Ricardo Nunes (MDB) na eleição municipal de São Paulo neste ano. “Vamos entrar com bom vice, que tenha boa rota”, disse, sem citar o nome de Araújo, que foi chefe da Rota, batalhão especial da Polícia Militar de SP.
O ex-mandatário fez a live ao lado de seus três filhos políticos, incluindo o senador Flávio (PL-RJ). Apesar de a live ter sido transmitida em link aberto no YouTube, ao divulgarem o evento em seus perfis nas redes, Flávio e Eduardo pediam para que seus seguidores se inscrevessem em um link. Na imagem acompanhando o post, diziam clique e “confirme a sua participação”.
No site, era solicitado que a pessoa fornecesse seu nome, email e telefone. Na sequência, o apoiador era remetido para uma página de confirmação da participação com link para entrar em um grupo de WhatsApp.
O grupo do WhatsApp, com mais de 600 membros, trazia em seu nome “candidatos e lideranças”
“Chegou o momento de organizarmos a base, preparamos futuros candidatos e formarmos lideranças para ocupar espaços nas comunidades locais”, diz o email enviado após a inscrição.