Bolsonaro volta para prisão domiciliar após exames, e médico cita estado fragilizado
O ex-presidente Jair Bolsonaro deixa o hospital com um curativo no pescoço após realizar procedimentos médicos - Pedro Ladeira/Folhapress
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou a prisão domiciliar no domingo (14) sob escolta de homens armados para realizar exames em Brasília, dias após ser condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Os médicos apontaram um quadro de anemia por falta de ferro e um resíduo de pneumonia. Também foram extraídas lesões na pele para avaliação sobre necessidade de tratamento.
Cláudio Birolini, médico que acompanha a saúde de Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente passou por exames de rotina. “Ele é um senhor de 70 anos que passou por diversas intervenções cirúrgicas. Ele está bastante fragilizado por essa situação toda”, disse.
Aliados do ex-presidente citam a saúde como argumento para que ele cumpra pena em casa após condenação por tentativa de golpe de Estado, e seus advogados pretendem argumentar riscos caso ele seja obrigado a cumprir a pena em um presídio ou na PF (Polícia Federal).
O ex-presidente está em pânico com a possibilidade de ser enviado para uma cela do Complexo Penitenciário da Papuda, segundo aliados. Ele tem medo de passar mal no local e não ter atendimento médico apropriado, ou de ser mal tratado por outros presos com quem eventualmente tenha que conviver.
O estado de saúde do ex-presidente é o fator principal analisado por seus advogados para pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a pena em regime fechado seja cumprida em prisão domiciliar, e aliados e familiares têm dado declarações públicas sobre seu abatimento e estado de fragilidade.
Bolsonaro foi ao hospital sob forte escolta policial e recepcionado por cerca de 20 militantes. Na saída, os apoiadores cantaram o hino nacional e gritaram elogios ao ex-presidente enquanto Birolini informava sobre o estado de saúde. As manifestações interromperam a declaração à imprensa mais de uma vez.
A novidade dos exames, segundo o médico, foi a identificação de um pouco de anemia, “provavelmente por ele ter se alimentado mal nesse ultimo mês” —quando esteve em prisão domiciliar por descumprir medidas cautelares impostas pelo STF. O ex-presidente recebeu reposição de ferro no hospital.
Birolini disse também que os refluxos do ex-presidente melhoraram bastante, mas ainda persistem, e que a hipertensão está sendo controlada. “Foram apenas alguns exames que são feitos mensalmente para avaliar a evolução”, explicou.
Foram retiradas oito lesões na pele, para que os exames laboratoriais identifiquem se são fruto de alguma doença. O pedido dos advogados diz que foi identificado um “nevo melanocítico”, uma pinta na pele normalmente benigna, e uma “neoplasia de comportamento incerto”, lesão sem natureza definida e que precisaria de remoção para análise.
O boletim médico não indica quando sairá o resultado, mas informa que Bolsonaro deve seguir com o tratamento da hipertensão arterial, do refluxo e medidas preventivas de broncoaspiração.
Foi a primeira vez que Bolsonaro deixou a prisão domiciliar desde sua condenação por cinco crimes pela Primeira Turma do STF no processo da trama golpista, na quinta-feira (11). O acórdão ainda não foi publicado, e os advogados devem entrar com recursos para tentar reverter a decisão.
Ele foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, sob acusação de liderar uma trama para permanecer no poder, e só deve começar a cumprir a pena após o esgotamento de todos os recursos da defesa. Integrantes do STF estimam que isso pode ocorrer de outubro a dezembro.
A visita ao hospital neste domingo foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou que o ex-presidente apresente o atestado de comparecimento, com a data e os horários dos atendimentos, em até 48 horas após a finalização do procedimento.
Bolsonaro foi acompanhado dos filhos Carlos e Jair Renan e escoltado por motos e carros da Polícia Penal do Distrito Federal, com a presença de homens armados. O carro do ex-presidente foi vistoriado ao deixar a casa em que cumpre as medidas cautelares.
A segurança no entorno também foi reforçada. Na rua, policiais militares monitoravam a entrada de carros e, na porta da unidade, agentes da polícia penal estão de prontidão enquanto Bolsonaro fazia os exames.
O vereador Carlos Bolsonaro (PL) criticou o excesso de policiamento. “Um comboio com mais de 20 homens armados de fuzis ostensivamente, acompanhados de mais de 10 batedores, reduzindo a velocidade da bem abaixo da permitida na via, apenas para promover a humilhação de um homem honesto”, escreveu ele no X (antigo Twitter).
Bolsonaro ficou por cerca de seis horas no hospital, onde passou por procedimentos médicos e por uma cirurgia para retirada das lesões que exigiu também uma anestesia local. Ele está proibido de dar declarações e fez apenas acenos discretos ao público, que usava bandeiras do Brasil, de Israel e dos EUA.
Em agosto, já em prisão domiciliar, Bolsonaro também realizou exames após autorização judicial a fim de analisar um agravamento do quadro de refluxo e soluços constantes, problemas com os quais convive desde que recebeu uma facada na eleição presidencial de 2018.