Brics deve criticar ações unilaterais no comércio e defender OMC diante de tarifas de Trump; saiba mais

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O embaixador Mauricio Lyrio, negociador-chefe do Brasil no Brics. - Lucio Tavora-21.feb.25/Xinhua

O Brics deve criticar medidas unilaterais no comércio internacional e fazer uma defesa da OMC (Organização Mundial do Comércio), num recado contra os tarifaços impostos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ministros das relações exteriores do bloco formado por Brasil, Arábia Saudita, África do Sul China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia se reúnem entre segunda-feira (28) e terça (29) no Rio de Janeiro, num encontro que ocorre em meio à guerra comercial desencadeada do republicano. Maior economia do Brics, a China foi atingida por tarifas de até 145% e é o principal alvo das medidas de Trump.

O embaixador Mauricio Lyrio, negociador-chefe do Brasil no Brics, disse no sábado (26) que o documento conjunto que está sendo negociado para o encontro de chanceleres visa reforçar o compromisso com o multilateralismo no comércio.

“Os ministros estão negociando uma declaração com vistas a reafirmar a centralidade, a importância do sistema multilateral de comércio, das negociações comerciais multilaterais como eixo principal de atuação na área do comércio. Portanto, [os ministros] deverão reafirmar, como sempre fizeram em outras declarações, a sua crítica a medidas unilaterais de que origem sejam”, disse Lyrio.

“É uma posição dos países do Brics já de longa data: a rejeição a medidas unilaterais”.

Antes do encontro dos chanceleres, os negociadores dos países discutiram nos últimos dias os principais pontos da declaração que deve ser adotada. A delegação chinesa tem pressionado por uma linguagem dura contra os EUA, inclusive citando especificamente a responsabilidade dos americanos pela guerra comercial em curso.

Os demais membros do Brics, no entanto, resistem a essa abordagem. A avaliação é que apontar o dedo diretamente contra Trump poderia reforçar a percepção do Brics como uma aliança antiamericana, algo que o governo Lula —neste ano na presidência do grupo— tem tentado evitar.

Para além disso, o Brasil e outros países do Brics estão em negociações bilaterais com os EUA para tentar reverter os impactos do tarifaço, de forma que criticar diretamente Trump poderia prejudicar essas conversas.

Além de negociador-chefe no Brics, Lyrio é o encarregado no Itamaraty de conduzir as negociações técnicas com o governo Trump sobre as tarifas americanas que atingiram o Brasil. Além de um imposto de 10% sobre seus produtos, o país é especialmente afetado por uma sobretaxa de 25% sobre suas vendas de aço aos EUA.

Mesmo que Trump não seja citado nominalmente, reforçar a defesa do multilateralismo no comércio é uma sinalização dos países do Brics contra a ação do republicano, que com seu tarifaço obrigou diversas nações a abrirem negociações individuais com os EUA.

O Brasil defende que disputas comerciais sejam resolvidas no âmbito da OMC, mas o órgão está paralisado por ação dos EUA. Ainda no primeiro governo Trump, os americanos passaram a bloquear a indicação de novos juízes para o órgão de apelação da OMC, o que, na prática, impede o seu funcionamento.

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