Brotam flores do recesso antes mesmo de o recesso ter início
Geraldo Alckmin e Lula. Foto: Ana Nascimento/Agência Brasil
Por Ricardo Noblat
Em época de pandemia ou de um eventual recrudescimento dela, de sessões ainda virtuais dos Poderes da República, de passaporte sanitário para admissão em locais fechados e ameaça de cancelamento das festas de fim de ano, como políticos e jornalistas sobreviverão a meses sem notícias?
É no período de recesso dos Poderes, no meio e no fim do ano, que costumam brotar o que antigamente se dava o nome de “flores do recesso”. Nada a ver com fake news. São notícias que muitas vezes se insinuam como fatos consumados e que depois, simplesmente, se evaporam com o fim do recesso.
Elas não nascem do nada, muito menos da imaginação dos jornalistas. São alimentadas por terceiros interessados em que elas circulem como balões de ensaio. Vai que o balão infla, decola e mais tarde se transforma em fato. Algumas vezes acontece, na maioria delas, não. Mas chama a atenção.
O recesso, neste ano, ainda não começou, e pesquisas de intenção de voto que estão por vir servirão de adubo a muitas flores. Se depender de Lula e de Geraldo Alckmin, é possível que a flor mais exuberante dos próximos meses venha a ser o entendimento entre os dois para disputarem juntos as eleições do ano que vem.
Vai que a flor cresce, encanta parte dos eleitores do PT e do PSDB e acaba vingando como fato consumado. Lula e Alckmin dão sinais de que pretendem regá-la. Para que ela viceje, Alckmin será obrigado a empurrar para março ou abril o anúncio sobre seu destino. Lula disse que antes disso não anunciará o seu.
Um fato é um fato. Só um fato novo é capaz de revogá-lo. Por enquanto, a chapa Lula-Alckmin está mais para flor de um recesso atípico, por mais longo. Mas política é como uma nuvem, outra lição do passado. Você olha e ela está de um jeito, volta a olhar e já está de outro. Assim o tempo passa, mas não falta assunto.