Carla Bruni reclama da prisão do marido e ex-presidente da França: ‘Um escândalo judicial’
Nicolas Sarkozy chega acompanhado da mulher Carla Bruni à prisão parisiense de La Santé - Julien de Rosa/AFP
Carla Bruni, 57, cantora, modelo e atriz, manifestou-se nas redes sociais após o marido, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, 70, ser levado na terça-feira (21) para a prisão parisiense de La Santé. O ex-chefe de Estado começou a cumprir pena de cinco anos por associação criminosa e financiamento ilegal de sua campanha eleitoral de 2007, supostamente com recursos do governo líbio.
Em uma publicação no Instagram, Bruni compartilhou a imagem divulgada por Sarkozy cerca de uma hora antes, acompanhada de um coração partido e da marcação do perfil do marido. O texto, assinado com as iniciais “NS”, critica a decisão da Justiça francesa e classifica o caso como “um escândalo judicial”.
“No momento em que me preparo para atravessar os muros da prisão de La Santé, meus pensamentos vão para as francesas e os franceses de todas as classes sociais e de todas as opiniões. Quero lhes dizer, com a força inabalável que é a minha, que não é um ex-presidente da República que se encontra preso esta manhã, é um inocente”, diz o início da mensagem.
Sarkozy, que governou a França entre 2007 e 2012, tornou-se o primeiro ex-presidente francês a ser preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A condenação gerou polêmica, já que a prisão foi determinada antes do julgamento do recurso apresentado por sua defesa, previsto para os próximos meses.
“Continuarei a denunciar este escândalo judicial, este caminho de cruz que sofro há mais de dez anos. Aqui está, portanto, um caso de financiamento ilegal sem o menor financiamento! Uma investigação judicial de longa duração iniciada com base em um documento cuja falsidade já está estabelecida”, acrescentou o ex-presidente na mensagem compartilhada por Bruni.
A AFP apurou que, segundo fontes do sistema penitenciário, Sarkozy ficará em uma das 15 celas de nove metros quadrados da ala de isolamento de La Santé, para evitar contato com outros detentos e registros fotográficos.”A verdade triunfará. Mas o preço a pagar será imenso…”, concluiu.
Esta não é a primeira condenação do ex-presidente, que já havia usado tornozeleira eletrônica no início do ano. Sarkozy acumula outras duas sentenças — por corrupção, tráfico de influência e financiamento ilegal da campanha de 2012 — e ainda responde a novos processos.
A defesa já solicitou a libertação condicional, amparada na legislação que permite o benefício a presos com mais de 70 anos no momento da detenção. A Justiça tem até dois meses para decidir.
Sarkozy, que sempre negou as acusações, foi acusado de ter feito um acordo com Muammar Gaddafi em 2005, quando era ministro do Interior, para obter financiamento de campanha em troca de apoiar o então isolado regime líbio no cenário internacional. Embora o tribunal não tenha comprovado o uso direto do dinheiro líbio, entendeu que os recursos partiram do país africano, o que levou à condenação por associação criminosa e pela “excepcional gravidade dos fatos”.