Por meio desse perfil, André Felipe divulgou mensagens “de cunho violento, incentivo a mortes e com armas de fogo”.
O juiz enfatizou que as publicações do réu ocorreram no início do ano, quando o Brasil “vivenciava um ambiente de consternação e medo em virtude de ataques em escolas, circunstância que demonstra inequivocamente o dolo do acusado de atentar contra o regular funcionamento das instituições de ensino, de natureza pública ou privada”.
“Portanto, é seguro concluir que o acusado, com vontade livre e consciente, atentou contra o regular funcionamento do serviço público de educação”, escreveu o juiz.
A conduta de André Felipe também foi acompanhada pelo Ministério da Justiça, por meio da investigação Escola Segura. Em informações repassadas à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) – responsável pela prisão do réu, em abril deste ano –, o órgão federal informou que André Felipe fez diversas postagens ameaçadoras e com armas de fogo, “em clara alusão ao Massacre de Columbine”, segundo a sentença.
De acordo com o juiz Max Abrahão Alves de Souza, o nome do perfil, as fotos e as mensagens em alusão ao Massacre de Columbine demonstram que o réu tinha “objetivo de fomentar o pânico e prejudicar o regular funcionamento das escolas”.
No mesmo perfil criado em “homenagem” ao assassino americano, André Felipe também incitou a prática de homicídio contra desafetos.
Perfil nazista
André Felipe mantinha outro perfil, ODIM_HIEDLER (@Odim_XXX), no qual divulgou links que direcionavam às imagens dos corpos dos artistas Marília Mendonça e Gabriel Diniz. Ele também fez postagens racistas contra nordestinos e estrangeiros. Segundo o processo, o nome do perfil remete ao nazismo (Hiedler é o sobrenome do avô paterno de Adolf Hitler).
O réu chamou nordestinos de “escória” e sugeriu colocá-los em “campos de concentração”. Em relação aos estrangeiros, atribuiu a eles “a destruição dos povos e a miscigenação de culturas e nações”.
A defesa de André Felipe nesse processo judicial é feita pela Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). Procurado, o órgão disse que não divulgará informações sobre o caso.