Chefão do PCC é expulso da Bolívia, chega ao Brasil e ficará no mesmo presídio de Marcola
Avião da Polícia Federal que trouxe ao Brasil líder do PCC preso na Bolívia pousa em Brasília - Divulgação/Polícia Federal
Apontado como chefe da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), o traficante Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, chegou ao Brasil no domingo (18) e cumprirá pena na penitenciária federal de Brasília, onde também está Marcola, outro líder da organização criminosa.
O presídio federal é de segurança máxima, com o objetivo de isolar lideranças criminosas e presos de alta periculosidade.
A Justiça da Bolívia decidiu expulsá-lo do país no domingo em audiência judicial —o que obriga a saída imediata do país. Ele foi entregue à PF (Polícia Federal) na cidade fronteiriça de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e transferido num avião da polícia até Brasília.
A operação foi coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério das Relações Exteriores, com participação de 50 policiais federais, de 18 integrantes da Polícia Penal Federal, além do apoio das polícias Militar e Civil do Distrito Federal.
O traficante foi preso na última sexta-feira (16) por uso de documento falso, ao tentar renovar seu registro de estrangeiro na Bolívia, mas Tuta já estava foragido há cinco anos, desde que foi condenado a 12 anos de prisão no Brasil pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
Na época, o Ministério Público de São Paulo realizava uma operação conjunta com a Polícia Militar para tentar prender um grupo de criminosos ligados PCC, entre eles, Tuta.

Em entrevista coletiva concedida no sábado (17), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que, assim que soube da prisão, informou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que por sua vez comunicou o presidente Lula (PT) e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
“Tão logo comuniquei ao ministro, ele parabenizou a ação da Polícia Federal. Naturalmente, ficou satisfeito com o desfecho —fruto da cooperação internacional— que resultou na prisão de um integrante de uma facção criminosa brasileira”, disse o diretor-geral.
Antes, havia ainda a possibilidade da Bolívia decidir extraditar Tuta. Neste caso, o processo de transferência para o Brasil seria mais demorado, por depender dos trâmites formais necessários entre os Judiciários dois países.