Cid está arrependido e diz não saber para quem fez ‘desabafo’ com críticas à PF e a Moraes, afirma defesa

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Mauro Cid. Foto: Reprodução

O advogado do tenente-coronel do Exército Mauro Cid, Cezar Bittencourt, afirmou na sexta-feira (3) que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) afirma não saber com quem estava conversando quando fez um “desabafo” com críticas à Polícia Federal e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O desabafo foi registrado em áudio e, posteriormente, revelado pela revista “Veja”. Nas gravações, Cid afirma ter sido pressionado pela Polícia Federal durante depoimentos de colaboração premiada. Após os áudios virem à tona, o tenente-coronel voltou à prisão no dia 22 de março.

Na sexta, mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liberdade provisória a Mauro Cid.

“O Cid não sabe quem é, não lembra com quem [ele falava]. Um indivíduo que tem um celular fala com uma pessoa, duas, só? Fala com todo o mundo. O Cid tem muitos amigos. E, para quem estava preso e se sentiu em liberdade, ele deve ter começado a receber telefonemas e responder. Ele falou com várias pessoas, tanto que ele não sabe exatamente para quem ele falou”, disse Cezar Bittencourt.

Segundo o advogado, o militar está arrependido de ter feito o desabafo com críticas à PF e ao ministro do Supremo.

Os áudios

Nas gravações, Cid alegou – a um interlocutor ainda não identificado – que Alexandre de Moraes e a Polícia Federal estão com uma “narrativa pronta”.

“Eu vou dizer o que eu senti: eles já estão com a narrativa pronta deles, é só fechar e eles querem o máximo possível de gente para confirmar a narrativa deles. É isso que eles querem”, disse nas gravações.

O tenente-coronel afirmou ainda que seria condenado a mais de 30 anos de prisão se não colaborasse com as investigações. “Porque eu estou em vacina, eu estou em joia”.

O tenente-coronel também disse nos áudios que teve a carreira militar prejudicada. “Ninguém perdeu carreira, ninguém perdeu vida financeira como eu perdi. Todo mundo já era quatro estrelas, já tinha atingido o topo. O presidente teve PIX de milhões, ficou milionário, né? Está todo mundo aí”, disse.

Moraes manteve a delação

Cid vai ter que continuar cumprindo uma série de restrições, como usar tornozeleira eletrônica e não se comunicar com outros investigados.

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro estava preso no Batalhão da Polícia do Exército em Brasília e voltou para casa por volta das 17h30 desta sexta.

Na decisão que concede a liberdade provisória, Moraes também mantém integralmente a delação premiada de Mauro Cid, pois, segundo o magistrado, “foram reafirmadas a regularidade, legalidade, adequação dos benefícios pactuados e dos resultados da colaboração, e a voluntariedade da manifestação de vontade” do delator.

Segundo a decisão de Moraes, após a divulgação dos áudios, ao ser ouvido novamente pela Justiça, Cid confirmou o conteúdo da delação, e disse que as gravações, em que criticava Moraes e a atuação da Polícia Federal foram um mero “desabafo”. Por isso, o ministro decidiu manter os termos da colaboração.

Moraes afirma ainda que, apesar da gravidade da conduta de Cid, diante dos novos depoimentos e informações trazidas por ele à investigação após a publicação dos áudios, “não estão mais presentes os requisitos ensejadores da manutenção da prisão preventiva, afastando a necessidade da atual restrição da liberdade de ir e vir”.

Medidas impostas a Cid

Na decisão da sexta, Alexandre de Moraes mantém uma série de medidas cautelares que devem ser seguidas pelo militar, como:

  • proibição de ausentar-se da comarca e recolhimento domiciliar no período noturno e nos finais de semana mediante uso de tornozeleira eletrônica
  • obrigação de apresentar-se perante o juiz, no prazo de 48 horas, e comparecimento semanal, todas as segundas-feiras
  • proibição de ausentar-se do país, com obrigação de realizar a entrega de seus passaportes no prazo de cinco dias
  • cancelamento de todos os passaportes emitidos, tornando-os sem efeito
  • suspensão imediata de quaisquer documentos de porte de arma de fogo em nome do investigado, bem como de quaisquer certificados de registro para realizar atividades de colecionamento de armas de fogo, tiro desportivo e caça
  • proibição de utilização de redes sociais
  • proibição de comunicar-se com os demais investigados, com exceção de sua esposa, filha e pai.

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