Cinco mortos em ação da PM: ‘Quando uma mãe perde um filho, todas perdem’, diz líder comunitária em enterro; moradores fazem protesto
Enterro de mortos durante ação da PM na Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco
Uma líder da comunidade de Vista Alegre, Janaína da Silva, lamentou ação da Polícia Militar que resultou na morte de cinco pessoas, na noite do sábado (15). A fala foi feita durante o enterro de quatro, dos cinco mortos, na manhã da segunda-feira (17), em João Pessoa.
“Eu estou aqui como liderança comunitária, defendendo minha comunidade e dando apoio às mães, porque independente de qualquer coisa, eu sou mãe e quando uma mãe perde um filho, todas perdem”, disse Janaína da Silva.
O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, alegou que os policiais militares foram “recebidos a bala” pelos cinco homens e que, portanto, “agiram no estrito cumprimento do dever legal”. Ressaltou ainda que um inquérito policial vai apurar as circunstâncias da ocorrência.
Quatro dos cinco jovens mortos foram enterrados em um cemitério no bairro de Cruz das Armas. Eles foram identificados como Cristiano Lucas, de 16 anos, Alexandre Bernardo de Brito, de 16 anos, Emerson Almeida da Silva de Oliveira, de 25 anos, e Fábio Pereira da Silva Filho, de 26 anos.
Durante o enterro, a líder comunitária também questionou a ação da Polícia Militar. “Por que a Polícia não deixou os corpos no local? Por que a polícia não fez o exame, a perícia lá no local?”.
As cinco pessoas, após os tiros, foram levadas para o Hospital de Trauma de João Pessoa, mas já chegaram na unidade de saúde mortos. Ainda não há informações se as vítimas morreram no local da ação policial ou no caminho para o hospital.
Moradores fazem protesto questionando ação da PM

Um protesto questionando a ação da Polícia Militar que terminou com cinco mortes em João Pessoa aconteceu na segunda-feira (17), na comunidade Vista Alegre, em João Pessoa. Houve confronto entre moradores e policiais militares no local.
De acordo com o coronel Ferreira, responsável pela base da Polícia Militar no local, o protesto teve início quando os moradores derrubaram e colocaram fogo em caçambas de lixo para bloquear a via que é usada para a circulação das viaturas da polícia.
Segundo o coronel, após reforços serem solicitados para conter o protesto, os manifestantes começaram a atirar pedras contra os policiais. Em resposta, a polícia atirou usando balas de borracha para tentar afastar a população.

Segundo apuração da TV Cabo Branco, mais de 10 pessoas foram detidas e encaminhadas para a Central de Polícia.
Conforme dito pelo coronel, dois policiais foram atingidos por garrafas de vidro e ficaram feridos durante o conflito, sendo levados para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. O protestou chegou ao fim na metade da tarde.

Entenda o caso
Segundo a Polícia Militar, cinco jovens se reuniram na noite de sábado (15), no município do Conde, para vingar a morte da mãe de um deles, que foi vítima de um feminicídio. Durante a ação, o grupo acabou interceptado por policiais em viaturas do 5º Batalhão.
A PM alega que os homens estavam em dois carros e desobedeceram a ordem de parada das viaturas. Houve tiros e os cinco homens foram mortos.
Entre as vítimas mortas, um seria uma liderança criminosa da comunidade Vista Alegre, outro usava tornozeleira eletrônica e outro seria o filho da vítima de feminicídio.
O grupo estaria armado com espingarda, pistola e revólver, armas que foram apreendidas.
O suspeito de cometer o feminicídio é Gilmar Eloy Dionizio, que teria matado a amiga da ex-esposa por acreditar que ela teria incentivado sua ex a ir até delegacia conseguir uma medida protetiva contra ele.
Gilmar, segundo a Polícia Militar, seria o alvo do ataque do grupo que mais tarde foi interceptado pelos policiais. Ele foi preso na manhã de segunda-feira (17).