O resultado apresentado no último domingo (28) pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) do país consagrou Maduro como vencedor com 51% dos votos, contra 44% de González. Entretanto, até aqui, a Venezuela não apresentou as atas eleitorais que comprovariam esses números, apesar de pressão de países como EUA, Colômbia e Brasil.
O regime venezuelano alega ter sido alvo de um ataque hacker que dificulta a apresentação dos resultados discriminados por zona eleitoral e mesa de votação —Maduro chegou a dizer que o bilionário e dono da rede social X, Elon Musk, estaria por trás da ação.
As atas eleitorais estão no centro da disputa pelo resultado das eleições na Venezuela. O país possui um sistema de votação em urnas eletrônicas com comprovante impresso, depositado pelo eleitor em uma urna separada. Quando a votação termina, cada centro de votação envia um relatório ao CNE semelhante ao boletim da urna no Brasil: as atas eleitorais.
A oposição diz ter tido acesso a esses documentos e publicou o que afirma serem as atas em um site, declarando González vitorioso com 67% dos votos e 80% das mesas de votação contabilizadas.
Uma projeção conduzida por pesquisadores brasileiros e feita a partir de uma análise de atas coletadas por uma ONG venezuelana produziu um resultado muito parecido com o que a oposição afirma ser o correto: 66% dos votos para González e 33% para Maduro. O estudo foi replicado pelo jornal americano The New York Times, que chegou a números similares.
A chanceler da Argentina, Diana Mondino, fez referência à contagem da oposição ao justificar seu reconhecimento da vitória de González.
“Após vários dias da publicação das atas eleitorais oficiais no site resultadosconvzla.com, todos podemos confirmar, sem qualquer dúvida, que o legítimo vencedor e presidente eleito é Edmundo González”, escreveu Mondino em uma publicação no X.
Em consonância com a declaração de Mondino, o porta-voz presidencial, Manuel Adorni, afirmou que “efetivamente o ditador Maduro perdeu as eleições e nunca apareceram as famosas atas onde ele iria demonstrar que havia vencido”.
Adorni seguiu afirmando que no mundo não pode haver um ditador governando um povo. “Lamentavelmente, é o que acontece na Venezuela há muito tempo. Agora teve outra eleição fraudulenta, mas o chavismo vem destruindo a Venezuela faz anos, expulsou milhões de venezuelanos de sua terra e empobreceu a 90% de sua população”.
O Uruguai, governado pelo presidente Luis Alberto Lacalle Pou, também reconheceu a vitória de González. “Em função da evidência contundente, fica claro para o Uruguai que Edmundo González Urrutia obteve a maioria dos votos nas eleições presidenciais da Venezuela. Esperamos que a vontade do povo venezuelano seja respeitada”, escreveu no X o ministro das Relações Exteriores, Omar Paganini.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, disse em nota que seu país reconhece González como presidente eleito após “a evidente manipulação dos resultados do processo eleitoral [da Venezuela]”, e que o regime “tentou, com fraude e irregularidades, usurpar o resultado real” do pleito. “O Equador convoca a comunidade internacional a respeitar o sacrifício venezuelano e proteger a decisão real deste país de voltar a ser livre.”
A chancelaria da Costa Rica afirmou que a vitória de González era indiscutível e rejeitou a “proclamação fraudulenta” de Maduro como vencedor das eleições. Desde o último domingo, a Venezuela aumentou a repressão política e já prendeu mais de 1.200 pessoas que saíram às ruas para protestar contra a declaração da vitória de Maduro.
A decisão dos países de reconhecer a oposição pressiona ainda mais o governo de Luiz Inácio Lula da SIlva (PT), que por ora mantém a posição de aguardar e insistir na divulgação das atas eleitorais, algo que o ditador afirmou que faria, porém não cumpriu até o momento.
Na quinta (1º), Brasil, Colômbia e México divulgaram comunicado conjunto em que pedem “verificação imparcial” dos números da votação venezuelana.
A oposição afirma possuir cópias de mais de 80% das atas e que González obteve 67% dos votos. A posição argentina resultou na expulsão de seu pessoal diplomático da Venezuela, que teve que deixar na quinta-feira a embaixada onde abrigava como refugiados seis venezuelanos.
O Brasil assumiu a custódia da legação argentina em Caracas e a proteção dos refugiados, bem como a guarda da legação do Peru, após a Venezuela romper na terça-feira as relações diplomáticas com esse país.