Colômbia condena homem envolvido em assassinato de Miguel Uribe a 21 anos de prisão
Miguel Uribe, senador e pré-candidato à presidência da Colômbia, é baleado durante evento em Bogotá — Foto: Reprodução/Instagram
Um dos envolvidos no ataque a tiros contra o senador colombiano Miguel Uribe, morto em agosto após passar várias semanas no hospital em estado crítico, foi condenado a 21 anos de prisão, afirmou na terça-feira (21) o Ministério Público do país. Uribe tinha 39 anos.
Segundo o órgão, Carlos Mora González aceitou sua responsabilidade no ataque contra o político, realizado no dia de 7 de junho em Bogotá. O condenado transportou o atirador, um adolescente que foi sentenciado a sete anos de reclusão no início do mês.
“Conduziu e disponibilizou um veículo para reconhecer previamente o local onde o crime foi perpetrado e transportou outros envolvidos no atentado”, afirmou o Ministério Público em um comunicado. Além disso, sob a fachada de ser um motorista em aplicativos transporte, teria mobilizado “armas e entorpecentes”. “Sua participação no plano criminoso foi mediada por uma oferta de 5 milhões de pesos (cerca de US$ 1.280).”
A polícia suspeita que a parte logística do assassinato tenha sido organizada por José Arteaga Hernández, conhecido como El Costeño. Ele foi detido em julho após a Interpol colocá-lo na sua lista procurados a pedido de autoridades colombianas.
Costeño foi detido em 2011 por porte de armas e tem laços com redes criminosas de sicários e narcotraficantes. O mandante, no entanto, ainda não foi identificado e, por isso, as motivações ainda são desconhecidas. Há a suspeita do envolvimento de grupos armados dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), hoje um partido político.
A última prisão ocorreu no final de agosto e teve como alvo Harold Barragán Ovalle. Ele é acusado de conspiração, homicídio qualificado, porte de arma de fogo e uso de menores de idade para cometer crimes —a suspeita é que ele instruiu o adolescente a atirar. Ovalle nega as acusações.
O primeiro a ser preso foi o próprio autor dos disparos, atingido por um tiro na perna durante a perseguição após o atentado. Já Carlos González, condenado nesta terça, foi capturado dias depois. Ele afirma que não sabia sequer quem era a vítima e diz ter agido em nome de Costeño.
Estão presos também William Fernando González Cruz, que aparece em vídeos gravados no dia do ataque dentro de um carro no bairro Modelia e Katherine Martínez, também chamada de Gabriela e suposta esposa de Costeño. Ela teria entregue a arma ao adolescente.
Uribe morreu em 11 de agosto por uma hemorragia cerebral. O legislador estava havia dois meses em uma unidade de terapia intensiva em um hospital de Bogotá.
O crime, que reviveu o passado de violência política da Colômbia dos anos 1980, suspendeu a corrida presidencial recém-iniciada na qual o senador se encaminhava para ser um dos principais nomes da oposição a Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país sul-americano da história recente.
Em agosto, Miguel Uribe Londoño, pai do senador morto, anunciou que assumirá o lugar do filho como pré-candidato do Centro Democrático às eleições presidenciais de 2026. O partido, que é a principal legenda de direita do país, fará um processo de seleção interna para definir o candidato final, que deverá ocorrer entre dezembro e março do próximo ano.
Uribe Londoño é viúvo da jornalista Diana Turbay, mãe de Miguel, que foi mantida refém por um grupo ligado ao cartel de Medellín e morta na tentativa de resgate, em 1991 —a história é relatada no livro “Notícia de um Sequestro”, de Gabriel García Márquez (1927-2014). Na época, Miguel tinha cinco anos, e Uribe Londoño era um empresário do setor cafeeiro.