Conversa com embaixadas, R$ 6 bi para infraestrutura e cruzeiros como hotéis: como o governo se prepara para receber a COP 30
O presidente Lula durante discurso em Belém (PA); petista voltou a criticar medidas de Trump sobre meio ambiente — Foto: Reprodução/CanalGov
O Brasil sediará em novembro deste ano a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA), e precisará adotar uma série medidas em diversos setores para garantir a realização do evento, considerado o maior do mundo na área ambiental.
De acordo com o presidente da COP 30, o diplomata André Corrêa do Lago, são esperados na conferência representantes de mais de 190 países. A organização do evento estima que, somente durante a Cúpula de Chefes de Estado, o principal momento do encontro, 12 mil pessoas deverão estar presentes.
Entre os desafios que se colocam para o país, segundo a missão da Organização das Nações Unidas (ONU) que visitou Belém, estão, por exemplo:
- 🏢infraestrutura;
- 🚌transporte;
- 🏨rede hoteleira;
- 👮🏻♂️segurança.
Nesse contexto, o secretário extraordinário da Casa Civil responsável pela COP 30, Valter Correia, apresentou nesta semana em Brasília quais são as medidas que o país pretende adotar ao longo dos próximos meses e também durante a conferência.
De acordo com o governo federal, devem ser adotadas as seguintes medidas:
- investimento de R$ 6 bilhões em obras de infraestrutura;
- destinação de R$ 300 milhões para modernizar e ampliar a rede hoteleira;
- utilização de dois navios de cruzeiro como hotéis para as delegações (no Porto de Outeiro);
- contato com a rede hoteleira para coibir “abusos” nos preços cobrados;
- busca de embaixadas para tirar dúvidas sobre a logística e a segurança na cidade;
- reforma do aeroporto;
- construção de terminais hidroviários;
- criação de faixas exclusivas e inversões de tráfego;
- incentivos ao home office durante o evento.
‘Melhor COP da história’
No último dia 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Belém para acompanhar o andamento das obras na cidade para receber o evento internacional.
Principal defensor da organização da COP em Belém nos fóruns internacionais, o presidente tem dito que os líderes mundiais costumam dizer que é preciso defender a Amazônia, mas precisam conhecer a região para saber quais propostas devem ser efetivamente apresentadas e discutidas.
“Eu saio daqui com a certeza que a gente vai fazer a melhor COP já realizada na história. Todas as COPs têm como tema central a Amazônia. […] Essa COP vai ser na Amazônia para vocês conheceram a Amazônia tal como ela é. Conhecer o povo do Pará, tal como eles são”, disse Lula após a visita do dia 14.
Saída dos EUA de acordo pode impactar negociações
Em entrevista publicada no último dia 30 no site oficial da COP 30, André Corrêa do Lago disse que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris pode impactar as decisões do encontro em Belém.
- 🔎Assinado em 2015, o Acordo de Paris é um tratado que tem como objetivo principal manter o aquecimento global do planeta abaixo de 2°C até o final do século e buscar esforços para limitar esse aumento a até 1.5°C.
Especialistas alertam que, como os Estados Unidos são a maior economia do mundo e o segundo maior emissor de gases de efeito estufa, as decisões do recém-empossado presidente Donald Trump na área ambiental podem ter impacto direto na luta global contra as mudanças climáticas.
“Estamos enfrentando circunstâncias excepcionais, e a conferência será impactada por decisões de países-chave, como os Estados Unidos, que recentemente anunciaram sua saída do Acordo de Paris”, afirmou André Corrêa do Lago.