Corpo com cal e mata-leão: o que se sabe sobre enfermeira morta

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Íris Rocha de Souza estava grávida de 8 meses

Uma enfermeira de 30 anos foi encontrada morta com marcas de tiros, em uma estrada de chão da cidade capixaba de Alfredo Chaves (ES). Íris Rocha de Souza, grávida de 8 meses, estava com o corpo coberto com cal, e a identificação só foi feita quatro dias depois do crime.

O que aconteceu

Policiais foram acionados para verificar a informação de que um corpo havia sido encontrado. O corpo foi localizado em Iracema, no município de Alfredo Chaves, na estrada que liga Matilde a São Bento de Ucrânia, por volta das 11h40 de quinta-feira, 11 de janeiro.

A equipe achou o corpo de uma mulher com marcas de tiro às margens da estrada. O corpo foi achado por volta das 14 horas daquele dia e, segundo testemunhas, um policial militar de folga foi quem encontrou a vítima e acionou outros colegas militares.

O corpo estava coberto com cal —o que dificultou a identificação da vítima. Os peritos só conseguiram checar a identidade depois que os investigadores encontraram, perto do corpo, um cartão de banco com o nome dela.

A família reconheceu o corpo de Íris no SML (Serviço Médico Legal), em Cachoeiro de Itapemirim, na tarde de anteontem (15). Ela foi velada e enterrada na manhã de ontem (16), no cemitério Jardim da Paz, no município da Serra (ES).

A Polícia Civil descartou a possibilidade de envolvimento do militar que viu primeiro o corpo com a morte da jovem. “De acordo com as investigações, não há indícios de participação de nenhum servidor que pertença ao quadro da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES)”.

Morte a 120 km de casa

A jovem morava em Jacaraípe, na Serra, região metropolitana de Vitória, a 120 km de onde o corpo foi achado. Os parentes não sabem explicar o que a jovem foi fazer na cidade, sendo que não conhecia ninguém na localidade.

Ela estava grávida de 8 meses. O quarto da filha mais nova, Rebeca, já estava sendo preparado pela mãe e a família. A jovem também deixa um filho de 8 anos de idade, de seu primeiro relacionamento.

Íris namorava, até o ano passado, um policial militar, de 27 anos. Familiares e amigos relataram que o relacionamento deles era conturbado e marcado por brigas.

Ela registrou um boletim de ocorrência há três meses contra o ex e relatou um golpe de mata-leão. No documento, ao qual o portal teve acesso, Íris relatou que durante uma discussão ela omitiu uma informação sobre o trabalho, e o companheiro ficou irritado e teria dado o golpe nela, na própria cama. Ela desmaiou e acordou com o nariz sangrando. Na época, ela pediu uma medida protetiva. Amigos disseram que, nos últimos meses, o PM a estava perseguindo.

A enfermeira foi lembrada pelos familiares como uma mulher doce e prestativa. Segundo os parentes, ela sempre buscou ajudar as pessoas.

Íris se formou em enfermagem em 2020, pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). E começou a fazer, no ano passado, uma pós-graduação em ciências fisiológicas na mesma instituição. A universidade lamentou o ocorrido.

“A Administração Central comunica com pesar o falecimento da mestranda. Íris também era filha da servidora aposentada Márcia Rocha, que durante muitos anos atuou na Superintendência de Comunicação da Universidade. Em nome de toda a comunidade, a Administração manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos.” — Ufes, em nota.

Polícia investiga o caso

O caso é investigado na Delegacia de Polícia de Alfredo Chaves. Foi aberto um inquérito para tentar descobrir o que teria motivado a morte da enfermeira. “Para que a apuração seja preservada, nenhuma outra informação será repassada” afirmou o órgão em nota.

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