Da França a Comores e sem Ucrânia; veja a agenda bilateral de Lula no G7

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Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por Raphael Veleda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma intensa agenda de trabalho durante os três dias do encontro de cúpula do G7, no Japão. Além da programação oficial do evento, fez 11 reuniões reservadas com chefes de Estado e diretores de entidades como Organização das Nações Unidas (ONU) e Fundo Monetário Internacional (FMI).

O petista colheu resultados concretos, como o início do processo para isentar brasileiros da exigência de visto para o Japão, mas vê a viagem marcada pelo impacto negativo do encontro bilateral que não teve, com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Apesar de ter ido a Hiroshima com a ambição de influenciar a negociação do fim da guerra com a Rússia e de ter novamente condenado a invasão russa — em reunião que teve a presença de Zelesnky e outros líderes —, Lula não se encontrou com o ucraniano reservadamente. As diplomacias dos dois países chegaram a negociar essa reunião, mas não houve agenda.

Mesmo sem esse encontro, porém, Lula voltará ao Brasil tendo fortalecidos as relações com antigos parceiros e se aproximado de novos. Veja um resumo da agenda do petista em Hiroshima:

Austrália, Japão e Indonésia

O primeiro encontro bilateral de Lula em Hiroshima ocorreu na sexta-feira (19/5), com o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese. A conversa dos dois ficou centrada na questão ambiental e nos esforços para conter as mudanças climáticas. Lula agradeceu os investimentos australianos na produção de hidrogênio verde no Ceará e estimulou mais negócios entre os dois países.

No mesmo dia, o brasileiro se reuniu com o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida. De acordo com o Itamaraty, os dois trataram de temas como a expansão dos fluxos bilaterais de comércio e investimentos, agenda de paz e segurança e combate à mudança do clima. Dessa reunião vieram ainda os resultados diplomáticos mais concretos: o anúncio de um financiamento de R$ 1 bilhão para o setor da saúde no Brasil e o início do processo para isentar visitantes brasileiros no Japão do visto de entrada.

Ainda na sexta, Lula encontrou-se com o presidente da Indonésia, Joko Widodo. Os dois conversaram sobre proteção de florestas tropicais, pois ambos governam países com milhões de hectares delas, e concordaram em relação à guerra da Ucrânia: é preciso avançar nas discussões tendo a paz como objetivo.

No sábado (20/5), o presidente brasileiro participou de sessão de trabalho multilateral, na qual discursou pedindo a reforma do Conselho de Segurança da ONU e criticou a criação de “blocos antagônicos” de países. Também posou para as fotos oficiais do evento junto aos demais chefes de Estado membros titulares do G7 e convidados. Depois, seguiu com a agenda de encontros bilaterais.

Com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, falou sobre o impacto da pandemia da Covid-19 sobre os países mais pobres. Segundo o Itamaraty, Lula e Kristalina concordaram que os sistemas financeiros dos países afetados precisam de fundos que os ajudem em seu processo de recuperação. Mas nada concreto foi anunciado.

Em seguida, Lula se reuniu com um de seus parceiros mais próximos, o presidente da França, Emmanuel Macron. Os dois discutiram cooperação em defesa e ampliação de trocas na área da cultura, mas conversaram principalmente sobre a Guerra da Ucrânia.

No fim do sábado, Lula se reuniu com o primeiro ministro alemão, Olaf Scholz, que foi um dos primeiros chefes de Estado a visitá-lo no Brasil, ainda em janeiro. De novo, a guerra foi o principal assunto da conversa.

No domingo (21/5), Lula acompanhou no início da manhã os demais chefes de Estado para uma visita ao Parque Memorial da Paz em Hiroshima, que lembra a tragédia do bombardeio atômico na Segunda Guerra Mundial, e participou de uma cerimônia na qual cada um deixou flores no local.

Em seguida, seguiu com a agenda de encontros reservados. Começando com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau. Eles debateram comércio bilateral, proteção do meio ambiente, a situação no hemisfério e a Guerra na Ucrânia. “Nós temos uma relação comercial razoavelmente bem sucedida de praticamente US$ 10,5 bilhões. E o que é importante é que não tem vantagem para nenhum país, é mais ou menos igual. E nós achamos que Brasil e Canadá têm condições de dobrar as relações comerciais”, disse o presidente brasileiro.

O encontro seguinte foi com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Eles falaram sobre as várias instâncias multilaterais de que os dois países participam, a exemplo do G20 — cuja Presidência deverá passar da Índia para o Brasil no próximo mandato —, o Brics, o G4 (sobre reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, formado por Alemanha, Brasil, Índia e Japão) e o Ibas (Fórum de diálogo Índia, Brasil e África do Sul). “[Índia e Brasil] são países da maior relevância para o desenho de uma nova geopolítica global”, destacou Lula.

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