Daniel Silveira, pivô de embate de Bolsonaro com STF, participa de atos com tom eleitoral no Rio
Daniel Silveira. Foto: Reprodução
Por Vinicius Neder
NITERÓI – Pivô do mais recente embate do presidente Jair Bolsonaro (PL) com o Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) participou de dois atos neste domingo, 1º, no Rio de Janeiro. Em clima de campanha eleitoral, o parlamentar, condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por ataques à democracia e por incitar violência física contra ministros da Corte, foi ovacionado por bolsonaristas
Silveira, que recebeu no último dia 21 o perdão de Bolosnaro, foi primeiro em Niterói, na região metropolitana. Depois, em Copacabana, na zona sul da capital fluminense. Ele é esperado também em São Paulo. Em Copacabana, o parlamentar fez três discursos, em três dos carros de som que deram apoio ao ato. Em todas suas falas, ressaltou pontos como defesa da “liberdade” e pediu votos para o presidente.
“A liberdade vale mais que a própria vida, um homem, uma mulher, sem liberdade não vivem, simplesmente existem”, afirmou. “Vamos viver e colocar o Brasil na liberdade que o presidente tanto sonha. Não tem nada que preocupe mais o presidente do que livrar o Brasil do socialismo que vem avançando.”
Silveira foi ovacionado como candidato a senador nas eleições gerais de outubro. Ao caminhar entre os diferentes carros de som sobre os quais discursou em Copacabana, o parlamentar foi cercado por apoiadores, que se acotovelavam em busca de uma foto ou “selfie”.
O deputado, no entanto, continua impedido de disputar as eleições em outubro, segundo o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em despacho na semana passada, Moraes afirma que o decreto editado por Bolsonaro não alcança a inelegibilidade ligada à condenação criminal, prevista na Lei da Ficha Limpa, conforme entendimento pacificado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao comparecer nos atos organizados por bolsonaristas neste domingo, 1º, Dia do Trabalho, Silveira também ignora a decisão STF que o proibiu de participar de eventos públicos. A proibição foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes no final de março, na mesma decisão que mandou o deputado voltar a usar tornozeleira eletrônica, e posteriormente confirmada pelo plenário do STF. A medida foi sugerida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) após Daniel Silveira reiterar ataques aos ministros do Supremo.
Em despacho na última terça-feira, 26, ao pedir esclarecimentos do deputado sobre o desligamento da tornozeleira, Moraes reiterou que as medidas cautelares continuam valendo mesmo após a condenação a oito anos e nove meses de prisão por ataques antidemocráticos e o decreto editado pelo presidente para perdoar a pena. O ministro afirmou que o STF ainda precisa analisar os efeitos do perdão – ações da oposição foram distribuídas ao gabinete da ministra Rosa Weber, que já comunicou que não pretende decidir monocraticamente e vai pautar o tema direto do plenário.
Em Niterói, o número de manifestantes no entorno de Silveira foi diminuindo à medida que o grupo se afastava do local da manifestação, por uma via perpendicular à orla. Nessa via de esquina com a praia, o parlamentar ouviu alguns gritos de “Lula!”, “fora, Bolsonaro!” e “prisão para milicianos!”, tanto de moradores dos apartamentos da área quanto de, pelo menos, dois homens que estavam em frente a uma farmácia. Apoiadores de Silveira reagiram com gritos.