Danilo Gentili nega omissão em acusação de abuso sexual durante o The Noite; veja
Danilo Gentili, apresentador do programa The Noite - Lourival Ribeiro/SBT
O apresentador e humorista Danilo Gentili, do The Noite, negou que tenha sido omisso em relação à acusação de violência sexual feita por Juliana Oliveira, ex-produtora e assistente de palco do programa. A humorista denunciou, no final de março, o apresentador Otávio Mesquita por uma situação que ocorreu durante uma gravação, em 2016.
Oliveira afirmou, na terça-feira (15), nas suas redes sociais, que Gentili e o SBT haviam sido omissos em relação ao caso e não teriam feito nada para ajudá-la. “Me escondiam no banheiro [quando Mesquita aparecia de surpresa no programa]. Isso aconteceu muito mais de dez vezes, durante anos. Eu era trancada no banheiro como se a criminosa fosse eu”, disse.
Em um vídeo de 45 minutos, publicado no Instagram na quarta-feira (16), Gentili expôs áudios e telefonemas com Oliveira de 2020, após ela entender que o que havia acontecido com Mesquita teria sido um crime sexual (veja abaixo).
O comediante afirma que Oliveira não quis registrar um boletim de ocorrência na polícia ou falar sobre o caso para o departamento de recursos humanos do SBT em 2020.
No vídeo, diz também que entendeu que a situação era apenas uma brincadeira, apesar de desagradável, que Mesquita também passou a mão em seu pênis e que os dois já haviam feito cenas parecidas em outras ocasiões. “O fato de estar no ar desde 2015 até hoje mostra que nenhum de nós achou que tinha alguma coisa errada”, diz.
Mesquita foi banido do The Noite, e Gentili teria oferecido “suporte financeiro, emocional e jurídico” a Oliveira. “Se em algum momento você quiser [denunciá-lo], eu e Danilo estamos ao seu lado”, disse o diretor do programa, João Mesquita, durante uma ligação com Oliveira e Gentili de dezembro de 2020.
O humorista também aponta que Juliana mentiu ao afirmar que nunca denunciou Mesquita porque tinha medo de ser demitida e que ele e João Mesquita teriam visto a suposta violência sexual e não teriam feito nada por ela não ser rica e branca.
O caso
No programa, que foi ao ar em 25 de abril de 2016, Otávio Mesquita desceu ao palco com um cabo. Enquanto Oliveira tirava os equipamentos de segurança do apresentador, ele passou a mão nos seios e genitália dela.
Depois, Mesquita a agarrou com as pernas e simulou uma relação sexual, enquanto ela demonstrava contrariedade e tentava afastá-lo. Ao final da cena, que durou cerca de três minutos, o apresentador falou: ‘Sem querer, eu dei uma apertada nas ‘peitocas’ dela. É durinho.”
Mesquita nega a acusação e diz que foi uma brincadeira combinada informalmente antes do início das filmagens.
“É um absurdo. Aquilo foi gravado”, disse o apresentador. “A minha ex-mulher e o meu filho estavam lá na plateia. Não houve um estupro. Foi uma brincadeira”, diz.
Mesquita afirma ainda que não recebeu qualquer notificação sobre a representação e que vai processar Oliveira pelos danos provocados à sua imagem.
Representação criminal
Oliveira entrou com uma representação criminal no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em que acusa Otávio Mesquita de abuso sexual. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a denúncia.
O advogado Hédio Silva Jr., que a representa, afirma que a lei penal “considera que a prática de atos libidinosos mediante violência configura estupro, ainda que não haja penetração”.
A emissora afirma que tomou as medidas cabíveis após ter conhecimento do ocorrido. “A propósito do episódio envolvendo a artista Juliana Oliveira e o apresentador Otávio Mesquita, o SBT vem esclarecer que tomou, a tempo, todas as providências que lhe competia por meio do seu Departamento de Governança Corporativa”, disse, em comunicado.
Segundo Hédio Silva Jr, ela inicialmente não tinha consciência da gravidade do ocorrido e achava que tinha sido vítima de assédio. Eles pedem que o MP-SP denuncie Mesquita por estupro.