De ‘narrativa’ a ‘conceito relativo’ de democracia, Lula defendeu regime da Venezuela por anos; confira

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Nicolás Maduro e Lula. Foto: 29/05/2023REUTERS/Ueslei Marcelino

A divulgação de uma nota do Itamaraty com críticas ao impedimento de uma candidatura da oposição, na terça-feira (26), marcou um ponto de inflexão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua relação com o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

Mesmo diante de seguidos episódios de cerco a opositores no país vizinho, o presidente mantinha, em suas declarações, uma linha de apoio aos processos eleitorais locais. Em 2017, fora da cadeira da Presidência, saudou o pleito sem a participação dos principais nomes antichavistas.

Dois anos depois, criticou o reconhecimento do governo de Jair Bolsonaro (PL) ao então autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. Também disse que não concordava com a política econômica do país vizinho e afirmou: “Deixem o povo da Venezuela [escolher] democraticamente seus dirigentes.”

De volta ao Planalto, no ano passado Lula declarou que havia uma “narrativa da antidemocracia, do autoritarismo” por parte dos opositores de Maduro e que cabia ao regime “mostrar a sua narrativa”. Também afirmou, em outra ocasião na qual foi questionado sobre Caracas, que o conceito de democracia era relativo.

Relembre abaixo frases do presidente sobre eleições e democracia na Venezuela:


“Queria pedir uma salva de palmas para a Venezuela pelas eleições de domingo.” — No X, após eleição no país sem os principais líderes da oposição (16.out.2017)


“Obviamente, eu não concordo com a política econômica da Venezuela, acho que é um equívoco, mas muito menos eu concordo com o Brasil reconhecer o tal do [Juan] Guaidó. (…) Deixem o povo da Venezuela [escolher] democraticamente seus dirigentes. Se o povo quiser ir para a rua para derrubar, que vá para a rua, mas é o povo, não é o Trump que vai derrubar o Governo da Venezuela.” — Em entrevista à Folha e ao El País, após ser questionado sobre a democracia venezuelana (26.abr.2019)


Eu acho, companheiro Maduro, que é preciso que você saiba a narrativa que se construiu contra a Venezuela. Da antidemocracia, do autoritarismo. Eu acho que cabe à Venezuela mostrar a sua narrativa para que possa efetivamente fazer as pessoas mudarem de opinião. (…) A sua narrativa vai ser infinitamente melhor do que a narrativa que eles têm contado contra você.” — Ao ditador Nicolás Maduro, durante sua visita ao Brasil (29.mai.2023)


“Desde que o Chávez tomou posse, foi construída uma narrativa contra o Chávez, e eu tive oportunidade de ver isso. Uma narrativa em que você determina que o cara é um demônio. A partir do momento que você cria a narrativa de que ele é um demônio, você começa a jogar todo mundo contra ele.” — A jornalistas, após visita de Maduro (30.mai.2023)


“Não é possível que não tenha o mínimo de democracia na Venezuela. Eu brigava com o Chávez porque qualquer coisa ele queria fazer um referendo.” — A jornalistas, após visita de Maduro (30.mai.2023)


“[A Venezuela] tem mais eleições do que o Brasil (…) desde que o Chávez tomou posse. O conceito de democracia é relativo para você e para mim.” — Em entrevista à Rádio Gaúcha (29.jun.2023)


“Pode dizer assim na Folha de S.Paulo: Lula está muito feliz que finalmente está marcada a data das eleições na Venezuela. Espero que as pessoas que estão disputando eleições não tenham o hábito de ex-presidente deste país, de negar processo eleitoral, as urnas e a respeitabilidade à Suprema Corte.” — Após ser questionado pela reportagem (6.mar.2024)


“Eu fui impedido de concorrer nas eleições de 2018 e, em vez de ficar chorando, eu indiquei um outro candidato que disputou as eleições.” — Sobre a oposição na Venezuela (6.mar.2024)

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