Decisão sobre passaporte da vacina é “timing” político, não sanitário
Bolsonaro
Por Evandro Éboli
Num raro momento desde o início da pandemia, o governo Bolsonaro produz uma notícia positiva no combate ao vírus, ainda que sob a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ontem, o governo baixou portaria para exigir o passaporte da vacina a entrada de viajantes o país e que apresente exame negativo realizado até 24 horas antes do embarque.
Jair Bolsonaro cede num momento que acumula notícias ruins: economia em frangalhos, a miséria nas ruas, sua impopularidade crescente, seu desempenho eleitoral pífio e seu principal adversário de 2022 se consolidando vitorioso.
O embate de Bolsonaro com a direção e técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) piorou sua já combalida situação. As medidas que têm tomado para garantir os tais 22% de intenção de votos – egressos dos “aloprados” e radicais que o apoiam – podem começar a minguar. Ou até pode assegurar esse patamar, que já não é mais suficiente para evitar sua derrota na tentativa da reeleição.
Bolsonaro tem perdido aliados com seu comportamento, como este de ameaças à Anvisa. Os que estão perto dele politicamente questionam se a companhia é boa ou não. Seus ministros já buscam alternativas, como não disputarem cargos no Executivo, como de govenadores, tendo que subir em palanque com um presidente moribundo.
A portaria de ontem foi importante para o país, o bem-estar dos brasileiros. Mas não foi baixada por uma preocupação sanitária. Seu timing foi político.