Derrubada de tarifaço pela Suprema Corte dos EUA impacta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras, estima CNI

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala à imprensa no gramado da Casa Branca, em Washington, no fim de semana - Annabelle Gordon - 27.abr.25/AFP

Por Alexandro Martello, g1

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar o chamado tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a importações de alguns países impacta o correspondente a US$ 21,6 bilhões em vendas externas brasileiras ao país.

O cálculo foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC).

  • Sobre alguns produtos brasileiros, o presidente Donald Trump havia imposto uma sobretaxa que variava de 10% a 40% – derrubada pela Justiça dos EUA.
  • A decisão do tribunal atingiu principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço e alumínio, não foram afetadas.

“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Ele destacou que a instituição seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão os impactos para o Brasil.

Após a decisão da Suprema Corte, Trump classificou a definição como “uma vergonha” e informou que usará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato.

O republicano afirmou ainda que há “métodos ainda mais fortes” à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. “Outras saídas serão usadas”, disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar “ainda mais dinheiro”.

Efeitos em 2025

Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano passado — uma queda de 6,6%, ou US$ 2,65 bilhões.

Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu de forma expressiva, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado. O avanço foi de quase 2.900% na comparação com 2024, quando o déficit foi de US$ 253 milhões.

Dados da série histórica do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os EUA desde 2009, há 17 anos. O resultado negativo de 2025 foi o pior desde 2022, em um intervalo de três anos.

Linha do tempo

  • O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio.
  • Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil. Ainda assim, foi divulgada uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
  • Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau.
  • Nesta sexta-feira, a Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas adicionais de 10% a 40% que ainda vigoravam para alguns produtos brasileiros.

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