Disputa tripla pelas terras raras do Brasil se intensifica; entenda

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Mina da Serra Verde, em Goiás - Divulgação

Uma corrida global pelos vastos depósitos de terras raras do Brasil está se intensificando, com Estados Unidos, China e União Europeia disputando acesso aos minerais, essenciais para uma série de tecnologias do século 21.

As reservas brasileiras desses metais —as segundas maiores do mundo— estão na mira tanto de Washington quanto de Bruxelas, que buscam reduzir a dependência da China, o produtor dominante que mantém forte controle sobre a oferta.

A União Europeia está em negociações para firmar um acordo com o Brasil para investimentos conjuntos em matérias-primas críticas, afirmou no mês passado, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A agência brasileira de promoção de exportações realizará um evento no próximo mês no qual espera que investidores ligados à UE anunciem apoio financeiro a cinco projetos de mineração no país, abrangendo terras raras, níquel, lítio e manganês.

A busca do bloco por acordos o coloca em concorrência com os Estados Unidos, que, segundo pessoas com conhecimento direto do assunto, já deixaram claro em conversas privadas com autoridades e representantes do setor seu interesse em acessar os depósitos de terras raras do Brasil, em grande parte ainda inexplorados.

Projetos de terras raras no Brasil garantiram cerca de US$ 700 milhões em financiamento por meio de capital próprio e dívida nos últimos dois anos, segundo cálculos do Financial Times, grande parte proveniente de fontes ocidentais.

Entre os investidores estão o grupo de metais preciosos Hochschild, listado em Londres, além de investidores privados e indivíduos de alto patrimônio. Bancos de fomento à exportação da Austrália, França, Estados Unidos e Canadá demonstraram interesse em financiar os projetos.

Em 2024, Pequim investiu US$ 556 milhões no setor de mineração brasileiro como um todo, de acordo com o relatório mais recente do Conselho Empresarial Brasil-China.

Embora a União Europeia não tenha o mesmo volume de financiamento ou a rapidez dos Estados Unidos, o bloco tem destacado seu apoio à geração de empregos locais e ao processamento dos minerais no próprio Brasil. A Terra Brasil Minerals, que está captando US$ 500 milhões para projetos de terras raras, afirmou que investidores com fortes vínculos europeus analisaram seus dados de negócios.

O governo de esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também quer desenvolver uma indústria nacional de refino de terras raras, em vez de apenas exportar matérias-primas.

“O friendshoring faz sentido. Estaríamos abertos a um acordo nesse sentido”, disse uma autoridade americana. “O Brasil pode ser um grande aliado nisso.”

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