Dois policiais civis e ex-piloto de Fórmula Truck são presos em operação da PF e MP contra vazamento de informações
Helicóptero apreendido na operação da PF e do MP-SP nesta sexxta-feira (25). — Foto: Reprodução/TV Globo
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público paulista prenderam na manhã da quarta-feira (25) dois policiais civis e um empresário, ex-piloto de Fórmula Truck, acusados de participação em um esquema criminoso de vazamento de informações sigilosas dentro da polícia de São Paulo.
As suspeitas são de que eles atuavam para favorecer ilegalmente pessoas investigadas em inquéritos criminais, mediante o pagamento de propina.
Na casa dos presos, a PF encontrou dinheiro, armas e até um helicóptero, que foi apreendido por decisão judicial. Um carro de luxo de um advogado filho de um dos investigados também foi apreendido pelos federais.
Os três presos pela operação são os seguintes:
- Roberval de Andrade: empresário e ex-piloto de Fórmula Truck;
- Sérgio Ricardo Ribeiro: investigador da Polícia Civil;
- Marcelo Bombom: investigador da Polícia Civil (terceira prisão decretada contra ele).
O criminalista Eugênio Carlo Balliano Malavasi, que defende Marcelo Bombom, afirmou que a inocência dele será comprovada nas ações penais em curso. Em relação à operação desta quarta, o advogado disse não ter informações.
Bombom também é investigado na Operação Tacitus, acusado de organização criminosa. Na época, a polícia encontrou dinheiro com ele e fez um flagrante por lavagem de capitais, que foi convertido em prisão preventiva.
Já o advogado Marco Antônio Gonçalves, que representa Roberval de Andrade, informou que está solicitando ao Juízo competente sua habilitação nos autos que originaram o decreto da prisão para se manifestar posteriormente.
O portal tenta contato com a defesa de Sérgio, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
O policial Sérgio Ricardo Ribeiro trabalhava justamente na Divisão de Crimes Contra a Administração do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que apura e coíbe casos de corrupção dentro da Polícia Civil paulista.
Segundo os agentes federais, além dos três mandados de prisão preventiva, a operação, batizada de Operação Augusta, tinha como alvo nove mandados de busca e apreensão (cinco na capital, três na região metropolitana de São Paulo e um em Praia Grande).

Desdobramento de operação ligada a Gritzbach
A operação é um desdobramento da Operação Tacitus, que no ano passado deteve cinco policiais, um advogado e um empresário que tinham sido delatados por Vinicius Gritzbach, delator do PCC executado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Naquela ocasião, um dos presos foi o policial civil Marcelo Marques de Souza, o “Bombom”, que também é alvo desta nova operação. O esquema desbaratado pela PF foi descoberto após análise do celular de Bombom, apreendido ano passado.
Entre os crimes apurados estão o arquivamento irregular de procedimentos policiais, o repasse clandestino de informações protegidas por sigilo e a intermediação ilícita e apresentação de documentos falsos para a restituição de bens apreendidos.
Os agentes públicos estão sendo acusados dos seguintes crimes: corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, quebra de sigilo bancário e advocacia administrativa. As investigações seguem em andamento sob sigilo.

A Operação Augusta foi realizada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de SP e contou com o apoio da Polícia Militar e da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo.
Um dos episódios investigados envolve a tentativa de restituição de um helicóptero – fato que deu origem ao nome da operação. A aeronave, avaliada em alto valor, foi bloqueada pela Justiça junto a outros bens e recursos que podem somar R$ 12 milhões.
O que diz a Polícia Civil
“A Polícia Civil informa que um investigador lotado na Divisão de Crimes Contra a Administração do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), foi preso nesta quarta-feira (25), após o cumprimento de um mandado de prisão. Ele é suspeito de envolvimento com infrações penais relacionadas aos Artigos 33 e 35 da Lei de Drogas, além de participação em organização criminosa. O policial está sendo apresentado na Delegacia do Deinter 6, em Santos, e deverá passar por audiência de custódia nas próximas horas. Ainda durante a operação, também foi cumprido um mandado de prisão e de busca e apreensão contra outro agente, que já se encontra detido. As investigações seguem sob sigilo para não comprometer o andamento dos trabalhos”.
Operação Augusta: veja os crimes apurados pela PF
- Corrupção passiva majorada: prevista no artigo 317, §1º, do Código Penal, com pena de até 12 anos de reclusão;
- Corrupção ativa majorada: prevista no artigo 333, parágrafo único, do Código Penal, com pena de até 12 anos de reclusão;
- Violação de sigilo funcional com dano à administração pública, tipificada no artigo 325 do Código Penal, com pena de até 6 anos de reclusão;
- Quebra de sigilo de informações protegidas por norma legal, nos termos do artigo 10 da Lei Complementar n.º 105/2001, com pena de até 4 anos de reclusão;
- Advocacia administrativa, crime previsto no artigo 321 do Código Penal, com pena de até 3 meses de detenção.
