Dólar recua 0,6%, a R$ 5,39, no menor valor desde 1º de outubro; Bolsa cai

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Dólar - Foto: Reprodução

Apesar de subir ante a maioria das moedas emergentes, com exceção de Turquia e Rússia, o dólar fechou nesta sexta-feira, 28, com queda de 0,62%, cotado a R$ 5,3900, no menor valor desde 1º de outubro de 2021. Já a Bolsa brasileira (B3) contrariou o bom humor de Nova York, com alta de 3,1% para o Nasdaq, e também caiu 0,62%, aos 111.910,10 pontos.

Afora uma pequena alta na abertura dos negócios, a moeda trabalhou em baixa durante todo o dia, com relatos de entrada de fluxo de estrangeiros e de desmonte de posições cambiais defensivas no mercado futuro (que apostam na alta do dólar). Além disso, a recuperação de Wall Street após uma semana cambaleante, diante da expectativa pela elevação dos juros dos Estados Unidos, abriu caminho, abriu caminho para o aumento do apetite por riscos.

Com máxima a R$ 5,4329 e mínima a R$ 5,3769, o dólar fecha a sua terceira semana consecutiva de desvalorização com recuo de 1,2% em cinco dias. No mês, a moeda cede 3,33%.

Em Nova York, Dow Jones fechou em alta de 1,66%, enquanto S&P 500 subiu 2,44% e o Nasdaq, 3,13%. Por aqui, apesar do dia negativo, o Ibovespa fecha a semana com ganho de 2,72%. Além da realização de lucros, o recuo do índice hoje se deve em grande parte ao mau desempenho das ações da Petrobras, com a ON em baixa de 3,22% e a PN, de 4,07%.

Entre os destaques do dia, as contas do Governo Central registraram déficit de R$ 35,073 bilhões em 2021, equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Foi o menor déficit primário desde 2014. Já as contas do Tesouro Nacional – incluindo o Banco Central – registraram um superávit primário de R$ 212,265 bilhões em 2021.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o desempenho das contas públicas do País em 2021 foi “extraordinário”, conforme o esperado pelo governo. “Houve duvidas, criticas, acusações de populismo fiscal, todas equivocadas a respeito das nossas contas”, disse. “Havia muita conversa sobre colapso do arcabouço fiscal, mas o País ainda saía da pandemia”, disse.

O mercado, porém, não teve grandes reações às falas do ministro, que sinalizou de forma contrária a reajustes a servidores um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar correção salarial a professores e em meio a pressão da cúpula do funcionalismo por aumento da remuneração. Sustentando o discurso da recuperação em V, Guedes afirmou que muitos economistas terão de elevar suas projeções para o PIB deste ano. “Já erraram três anos, vão errar o quarto ano”, avisou.

Investidores acompanham ainda os desdobramentos da apresentação, pelo advogado-geral da União (AGU), Bruno Bianco, na sede da Polícia Federal em Brasília, do agravo do governo que pede a apreciação da intimação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o presidente. Moraes classificou o recurso da AGU de “intempestivo” e rejeitou o agravo para adiar o depoimento de Jair Bolsonaro. O depoimento estava marcado para hoje às 14 horas, mas o presidente não compareceu.

No mercado corporativo, destaque para Cielo, que subia quase 7% no fim da tarde. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o movimento positivo da Cielo, que em um ano acumula perda de 41%, coincide com o maior apetite dos investidores estrangeiros ao longo da semana pelos ativos domésticos, que estão baratos.

Na outra ponta, destaque negativo para o setor aéreo voltou a declinar no Ibovespa nesta sexta-feira. Gol e Azul caem 4,32% e 3,91%, respectivamente. /COLABORARAM BÁRBARA NASCIMENTO, ANTONIO PEREZ E MARIA REGINA SILVA

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