‘É o pior dia da minha vida sendo revivido’, diz mãe de Isabella Nardoni sobre Tremembé
A vereadora Ana Carolina Oliveira ( Podemos) durante primeira sessão da Câmera de SP - Rafaela Araújo/Folhapress
A vereadora de São Paulo Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni — assassinada aos 5 anos de idade —, afirmou que enquanto para uns o seriado “Tremembé” (da Amazon Prime Video) não passa de uma obra de ficção, para ela é um lembrete constante do pior dia de sua vida.
“É doloroso perceber que, enquanto para muitos parece apenas uma série, para mim é o pior dia da minha vida sendo revivido. A verdadeira história não é sobre quem cometeu o crime, mas sobre uma criança que teve sua vida brutalmente interrompida”, diz.
À coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha, a vereadora afirmou que “gostaria que parassem de romantizar criminosos” e que, em sua opinião, o Brasil avançou pouco na proteção de crianças e adolescentes desde a morte da filha.
“Diferente de quando eu decido falar sobre a Isabella ou a minha dor, ali não é a minha voz. Prefiro não assistir para preservar minha saúde emocional e proteger algo que foi real, intenso e devastador. Meu ponto principal é que criminosos não se tornem celebridades, como temos visto acontecer”, afirma.
Ela diz que é comum que pessoas que cometem crimes sejam tratadas como vítimas de suas próprias circunstâncias, enquanto as famílias seguem com feridas que nunca cicatrizam.
“Precisamos de leis mais firmes, penas cumpridas integralmente e de uma sociedade que valorize a vida — e não o crime”, diz.
Pelas redes sociais, logo após o lançamento da produção, Ana Carolina afirmou que tomou a decisão de não ver a série para preservar a sua saúde mental. Ela cobrou que produções de obras de ficção baseadas em histórias reais sejam responsáveis.
“Infelizmente, vivemos um momento de inversão de valores. Às vezes, algumas produções podem reabrir feridas que acabam ferindo novamente quem já sofreu demais.”
Em seu primeiro mandato, Ana Carolina afirma que a vida política tem sido um grande desafio, mas também transformadora. O sofrimento com o assassinato de Isabella, diz ela, se transformou em motivação para ajudar outras crianças e pais a não viverem a mesma tragédia.