Economistas elevam previsão da inflação, Selic e dólar para 2025 mesmo com aprovação de pacote fiscal
© Antonio Cruz/Estadão. Sede do Banco Central
Os economistas consultados pelo Banco Central voltaram a aumentar a previsão para inflação, dólar e PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, além de elevarem a da Selic para 2025 e 2026.
O boletim Focus, divulgado na segunda-feira (23), mostra que o mercado espera que o dólar feche o ano cotado a R$ 6. É a primeira vez que a moeda atinge este patamar. Na sexta-feira (20), a moeda fechou a R$ 6,071, após chegar a alcançar R$ 6,30 durante a semana.
A situação levou o BC a intervir diversas vezes no câmbio com a realização de leilões extras diariamente desde o dia 13, com exceção da última quarta-feira (18).
Os analistas também elevaram o dólar para os próximos três anos. Em 2025, a expectativa é que a moeda alcance R$ 5,90, um aumento de R$ 5,85 em relação à semana anterior. A previsão subiu de R$ 5,80 para R$ 5,84 em 2026, e de R$ 5,70 para R$ 5,80 em 2027.
A perspectiva para a Selic também teve uma alta para os dois próximos anos, atingindo 14,75% em 2025 (contra 14% na semana passada), 11,75% em 2026 (era de 11,25%). Atualmente a taxa básica de juros está em 12,25% ao ano.
Na ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na semana passada, o BC previu mais duas altas de 1 ponto percentual, após citar risco de piora da dinâmica inflacionária a partir do anúncio de medidas fiscais do governo.
A autoridade monetária observou uma deterioração adicional em componentes que afetam a política de juros, como câmbio, inflação corrente e expectativas de mercado, vendo os impulsos fiscal e de crédito como elementos que estão contribuindo para uma redução do efeito do aperto monetário colocado em curso para domar a inflação.