Em 1987, Cuca reconhecia participação em estupro: ‘temos que pagar’
Cuca na primeira coletiva de imprensa como técnico do Corinthians. Foto: Reprodução
O então jogador do Grêmio Cuca confessou sua participação no estupro de uma menina de 13 anos em Berna, na Suíça, em 1987. Voltando para 2023, o agora técnico, negou qualquer tipo de participação no crime, durante sua apresentação no Corinthians.
“Jamais pensei que uma coisa assim pudesse acontecer comigo. Não sei se foi ato infantil, um passo em falso, mas é difícil julgar os 50 dias em poucos minutos. Só posso garantir que isso nunca se repetirá. A tensão e a angústia quase me mataram. Se tivesse que ficar preso, eu preferia morrer. Eu pensava na minha mulher, quase nunca dormia”, disse Cuca em entrevista ao jornal Zero Hora em edição publicada em 31 de agosto de 1987.
“Passei dez dias sem falar nada e só me acalmava com injeções e sedativos. Foi um longo martírio de reflexão… tive medo de ficar traumatizado sem saber qual a reação das pessoas, dos torcedores, dos dirigentes. Estou de braços abertos para qualquer decisão. Temos que pagar, todos os envolvidos. Não adianta separar menor ou maior participação.”, completou o ex-jogador e técnico.
Cuca foi demitido do Corinthians na última semana após ter sido apresentado no dia 21 de abril. Grande parte da torcida do clube reprovou a contratação dele por acreditar que a presença do treinador contrariava a história politizada e combativa do Timão.
“Esse é um tema delicado, um tema pessoal meu. Eu faço questão de falar sobre ele, e vou tentar ser o mais aberto possível quanto a isso, quanto ao que me cabe – disse. – Tenho vaga lembrança de tudo o que aconteceu porque foi há muito tempo. Nessa vaga lembrança que tenho, eu tinha 20 e poucos anos na época. Nós iríamos jogar uma partida, subiu uma menina ao quarto, o quarto era o que eu estava junto com outros jogadores. Era um quarto duplo. Essa foi a minha participação nesse caso. Eu sou totalmente inocente, eu não fiz nada”, disse Cuca ao ser questionado sobre o episódio em sua chegada ao Parque São Jorge.
Além de ter negado participação no crime, durante a entrevista de apresentação o técnico também afirmou que a vítima não havia o reconhecido como criminoso na época. Apesar disso, parte da condenação apontou que a menina, sim, o reconheceu, como também foi encontrado sêmen dele no corpo, como informou o Jornal Nacional, da TV Globo.