Entenda como China e Cuba escolhem seus líderes e por que Lula afirma que nesses países ‘não há polarização’
Lula. Foto: Reprodução
Em sua entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (26), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu uma resposta sobre a polarização no Brasil e como contraponto citou dois países: Cuba e China.
“A polarização é saudável no mundo inteiro. Polarização tem nos Estados Unidos, tem na Alemanha, tem na França, tem na Noruega, tem na Finlândia, tem em tudo quanto é lugar; não tem polarização no Partido Comunista Chinês, não tinha polarização no Partido Comunista Cubano”, afirmou ele.
Veja abaixo como funciona a escolha dos líderes na China e em Cuba.
China
Na China até existem outros partidos, mas, na prática, eles endossam o que o Partido Comunista Chinês decide.
O Partido Comunista Chinês faz seu congresso (ou seja, uma reunião para tomar decisões) a cada cinco anos —haverá um em 2022. É nesse congresso que se decide quem será o líder do partido e, por extensão, o presidente da China, o país com a maior população no mundo.
O partido tem mais de 2.000 delegados. Nos anos de eleição, viajam até Pequim para realizar o congresso. A portas fechadas, esses delegados elegem um Comitê Central, que tem cerca de 200 membros.
É esse Comitê Central que escolhe quem será o secretário-geral do partido.

O Comitê Central não elege apenas o secretário-geral do Partido Comunista Chinês, mas, também, o núcleo duro do governo (conhecido como politburo, que era a palavra dos tempos da União Soviética).
Cuba
O sistema político cubano é de partido único ( no caso, o Partido Comunista). Há um protocolo para a escolha do presidente: há eleições gerais para a Assembleia Nacional, e os representantes escolhem o presidente.
Em Cuba só houve sucessão no poder duas vezes. Da primeira vez, em 2006, Fidel Castro, já enfraquecido, entregou a presidência a seu irmão Raúl, que era o segundo na linha de comando do Partido Comunista de Cuba desde 1965. Em 2011, Raúl também assumiu o controle do partido.
Em 2018, Raúl Castro apontou Miguel Díaz-Canel como presidente, e a Assembleia Nacional o elegeu de forma quase unânime.

Em abril do ano passado, Díaz-Canel também foi eleito o líder do partido e, dessa forma, passou a centralizar o poder no país.