Entenda em 10 pontos por que o Miss Universo 2025 é o mais polêmico da história

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As cinco finalistas do Miss Universo 2025 - Chalinee Thirasupa/Reuters

A edição 2025 do Miss Universo vem sendo considerada a mais polêmica dos 74 anos de história do concurso. Desde antes de seu início oficial, o certame vem colecionando controvérsias envolvendo diferentes atores que vão desde seus líderes, até patrocinadores e misses.

Confira abaixo os 10 fatos que resumem o evento deste ano, que coroou a mexicana Fatima Bosch no último dia 20 em Bancoc, na Tailândia.

1. PARCERIA COM CONCORRENTE

Na segunda quinzena de março, o Miss Universo anunciou uma parceria inédita com o Miss Grand International (MGI), considerado até então o seu maior concorrente. O concurso deu “carta branca” para que o empresário tailandês Nawat Itsaragrisil, dono do Grand e diretor regional do Miss Universo para a Ásia e a Oceania, comandasse toda a operacionalização da 74ª edição do mundial.

O acordo foi selado em evento com a presença de Nawat e dos até então proprietários do Miss Universo: o empresário mexicano Raúl Rocha Cantú e a magnata tailandesa Anne Jakrajutatip. A parceria chegou após o Miss Universe enfrentar insatisfação dos fãs sobre o show da edição de 2024, realizado no México. Segundo as críticas, a transmissão pelo YouTube foi repleta de erros e o roteiro deixou muito a desejar.

2. NOVO CEO E IMPRENSA QUASE BARRADA

No dia 29 de outubro, o concurso anunciou o guatemalteco Mario Búcaro como seu novo CEO. Desde janeiro de 2024, ele já atuava como vice-presidente de relações internacionais da MUO (Miss Universe Organization).O executivo sucedeu Anne Jakrajutatip que, segundo nota oficial, deixou o cargo em 20 de junho de 2025.

Logo após o anúncio de Búcaro, foi emitida uma nota informando que a imprensa e os criadores de conteúdo credenciados para cobrir o Miss Universo 2025 só poderiam exercer seus trabalhos a partir do dia 18 de novembro —excluindo as atividades do confinamento. A atitude gerou estranhamento na comunidade miss e protestos nas redes sociais.

Nawat desautorizou o colega e reforçou que a cobertura do concurso seria livre. Ele apontou que a liberação de imprensa seria feita com a mesma equipe de relações públicas do Miss Grand. Ele argumentou que, como organizador da 74ª edição, por contrato, era ele quem determinava como seriam as relações com a mídia.

3. JANTAR ESPECIAL, FARPAS DIGITAIS E POLÍCIA

Quando finalmente começou o confinamento do concurso, no dia 2 de novembro, Nawat recepcionou as candidatas e deixou claro que não havia nenhum representante oficial do Miss Universo ali. Na ocasião, revelou que, por meio de uma votação online, dez meninas teriam direito a um jantar com ele, no restaurante de um dos patrocinadores.

A atitude não agradou muito a Raul Rocha, que prontamente publicou nos perfis oficiais do Miss Universo na internet, posicionamento desautorizando a votação e o jantar. Esse foi só o início da troca de farpas digitais que se seguiu entre os dois. O que um falava era desmentido pelo outro, e vice-versa.

Na dia 3 de novembro, Nawat reparou na presença de um patrocinador do evento que não foi intermediado por ele: uma plataforma de apostas online filipinas –serviço legalmente proibido na Tailândia. Ele então então acionou a polícia, que foi até o hotel das misses, apreendeu o material promocional em questão e levou duas pessoas detidas, para dar explicações.

4. BRIGA COM MISS MÉXICO

No dia 4 de novembro, em uma conversa com todas as candidatas, os ânimos se exaltaram entre Nawat e Fatima Bosch, que ainda era apenas uma das candidatas. Enquanto Nawat chamava a atenção da jovem por não estar promocionando os apoiadores tailandeses de concurso –atividade prevista em contrato para todas as misses–, a jovem mexicana saiu da sala.

Além de algumas colegas, atrás dela foi a dinamarquesa Victoria Kjaer (Miss Universo 2024), que achou toda a situação “inaceitável”. Ambas as misses apontam que Nawat não teve um comportamento respeitoso em relação a elas.

Na sequência, Nawat fez uma live dizendo que conversou com a mexicana e os ânimos se exaltaram desnecessariamente. Ao mesmo tempo, o Miss Universo emitiu mais um comunicado oficial, informado que mantém sua parceria com o Miss Grand International e que juntos seguem trabalhando pelo sucesso da edição deste ano. A nota afirma ainda que uma comitiva, liderada por Mario Búcaro, chegaria em breve na Tailândia para ajudar com a organização do evento.

5. NAWAT VAI ÀS LÁGRIMAS

Miss Universo 2025
O empresário Nawat Itsagrisil e a Miss Universo México, Fatima Bosch – Reprodução

No dia 6 de novembro, Nawat foi às lágrimas ao falar sobre o desentendimento com a Miss México. “Gostaria de pedir desculpas a todos. Eu não tinha ideia da dimensão que este problema tomaria”, disse ele em frente a diversos microfones e câmeras. “Sou humano. Todos sabem que os últimos dias foram de muita pressão”, adicionou. As imagens do momento viralizaram.

No mesmo dia, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, manifestou apoio a Fatima Bosch. “Meu reconhecimento se deve ao fato de ela vivenciar essa agressão e, com muita dignidade, dizer: ‘Eu discordo’”, afirmou, ao ser questionada por uma jornalista. “E me parece que isso é um exemplo de como as mulheres devem fazer suas vozes serem ouvidas.”

6. JURADOS DESISTEM DE PARTICIPAR

Após viajarem pela Tailândia em aparente tranquilidade, e já com a presença de Búcaro e Rocha, as 120 candidatas voltaram a Bancoc no dia 16 de novembro. No dia 18, o pianista e compositor franco-libanês Omar Harfouch, anunciado como um dos jurados deste ano, apresentou sua renúncia ao posto.

Ele afirmou que havia um suposto comitê de seleção “clandestino”, à parte do processo oficial de avaliação, composto por pessoas com laços pessoais com algumas das candidatas. Segundo ele, independente do júri, as trinta candidatas do primeiro corte já haviam sido pré-selecionado e a mexicana Fatima Bosch já estava indicada para ser coroada na final.

Na sequência, renunciaram também o ex-jogador e técnico de futebol francês Claude Makélélé a princesa Camilla de Bourbon-Duas Sicílias. Outro que saiu do júri na surdina, sem anúncio oficial, foi o brasileiro Romero Britto, que também foi anunciado para 2024 e, da mesma forma, não compareceu.

7. MISS JAMAICA CAI E VAI PARA UTI

Já no dia 19 de novembro, durante a etapa classificatória preliminar do certame, a Miss Jamaica, Gabrielle Henry, caiu em um dos buracos do desenho do palco enquanto finalizava o seu desfile em traje de gala, e teve que ser hospitalizada. O caso foi bem mais sério do que parecia, tanto que ela foi parar na UTI e não participou da final do concurso, realizada no dia 20. A miss segue internada.

8. MISS MÉXICO VENCE SEM AUDITORIA

Assim como havia dito Harfouch, Fatima Bosch, 25, foi coroada Miss Universo 2025 na noite do dia 20 de novembro. O público reagiu e, na saída do evento, vaiou a delegação mexicana. Na internet, o barulho foi ensurdecedor e toda a imprensa global repercutiu a controvérsia da vitória da jovem, assim como relembraram o caso do bate-boca com Nawat.

A canadense Natalie Glebova, Miss Universo 2005, que substituiu um dos jurados na final, revelou que neste ano, pela primeira vez, não houve uma empresa independente fazendo auditoria dos votos. A imprensa também revelou que Raul Rocha tinha um contrato milionário com a Pemex, petroleira mexicana onde o pai de Fatima, Bernardo Bosch, trabalha há quase três décadas.

9. RENÚNCIAS, POLÊMICAS E AMEAÇAS

Após a final e diante das controvérsias, algumas misses anunciaram sua renúncia aos seus títulos na segunda (24). A principal delas foi a representante da Costa do Marfim, Olivia Yacé, 27, que ficou em quinto lugar e recebeu a faixa de rainha continental para África e Oceania. Ela era considerada favorita para vencer e sua colocação indignou aos fãs.

Em entrevista a uma jornalista mexicana, Raul Rocha declarou que ela não venceu porque seu país não tinha um passaporte com boa aceitabilidade internacional. Se fosse coroada, segundo ele, a jovem passaria o ano de reinado dentro de um apartamento. A declaração gerou indignação e acusações de racismo ao presidente do concurso.

Fatima Bosch também foi afetada por toda a situação e denunciou na terça (25) que está recebendo ataques de ódio e até ameaças de morte em suas redes sociais.

10. RAUL ROCHA E O NARCOTRÁFICO

Na quarta-feira (26), o jornal mexicano La Reforma, apontou que Raul Rocha possui ligação com o narcotráfico e que é investigado pelo governo federal. Segundo o texto, a Procuradoria-Geral da República do México (FGR) solicitou a prisão do executivo, que é acusado de tráfico de drogas, armas e combustível entre a Guatemala e o México.

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