Entenda o que se sabe da relação do ex-príncipe Andrew com Epstein

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O ex-príncipe Andrew durante um evento em Windsor - Justin Tallis - 31.mar.24/AFP

Acusações a respeito dos vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein há muito perseguem o ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles 3º. Sua prisão na quinta-feira (19) por suposta má conduta no exercício de cargo público é o mais recente golpe para o ex-membro da realeza.

Veja, abaixo, o que se sabe até agora sobre as ligações entre o financista que morreu em uma prisão americana em 2019 e o ex-príncipe que desfrutou de uma vida de luxo e privilégios.

Compartilhamento de informações

A prisão ocorre após o Departamento de Estado dos EUA divulgar, em janeiro, mais arquivos do caso que pareciam mostrar que Andrew enviou a Epstein documentos potencialmente confidenciais durante o período de dez anos que atuou como enviado comercial do Reino Unido.

Em um email de novembro de 2010, Andrew aparentemente compartilhou com o financista relatórios sobre vários países asiáticos após uma visita oficial à região.

O ex-membro da realeza, agora reconhecido apenas como Andrew Mountbatten-Windsor, também teria enviado a Epstein detalhes da viagem, na qual foi acompanhado por parceiros de negócios do financista, junto com oportunidades de investimento meses depois.

Ao menos nove funcionários da polícia do Reino Unido confirmaram que estão analisando relatórios que parecem vincular o ex-príncipe a Epstein.

‘A Garota de Ninguém’

Em agosto de 2021, Virginia Giuffre entrou com uma ação judicial contra Andrew, sob a acusação de que ele a agrediu sexualmente três vezes, das quais duas quando ela tinha 17 anos.

Em seu livro de memórias “Nobody’s Girl” (a garota de ninguém), Giuffre disse que foi forçada a ter relações sexuais com Andrew em três ocasiões distintas, tendo sido traficada por Epstein.

Na primeira vez, em março de 2001, Andrew, então com 41 anos, teria tido relações com ela na casa de Londres da namorada de Epstein, Ghislaine Maxwell. O segundo encontro foi no mês seguinte, na residência do financista em Nova York.

A última vez foi na ilha particular de Epstein, como parte do que ela descreveu como uma “orgia” com Andrew, Epstein e cerca de outras oito garotas que “pareciam ter menos de 18 anos e não falavam realmente inglês”.

Uma carta apresentada a um tribunal dos EUA em fevereiro de 2022, conjuntamente por Giuffre e pelos advogados de Andrew, revelou que eles chegaram a um acordo extrajudicial para encerrar o processo civil contra ele.

Andrew, que sempre negou qualquer crime ou irregularidade, concordou em pagar a ela uma quantia não divulgada, mas que teria sido superior a £ 9 milhões (cerca de R$ 63 milhões na cotação atual).

Giuffre se suicidou em abril do ano passado, aos 41 anos, na Austrália, onde vivia com o marido e três filhos.

Amizade com Epstein

Andrew supostamente conheceu Epstein em 1999, por meio de Maxwell. Em 2008, o bilionário americano foi condenado nos Estados Unidos por aliciar uma menor para prostituição e recebeu uma sentença de 18 meses de prisão.

Apesar disso, os dois homens foram fotografados em 2010 caminhando juntos pelo Central Park, em Nova York.

Andrew afirmou que aquele foi o fim da amizade deles, mas documentos judiciais do Reino Unido revelados no início deste ano mostram o contrário. Um email enviado para Epstein em fevereiro de 2011 “de um membro da família real britânica”, que se acredita ser Andrew, dizia: “Mantenha contato próximo e e nos encontraremos novamente em breve!!!!”.

Epstein se suicidou em uma prisão de Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico de menores para fins sexuais.

‘Sem lembrança’

Andrew deixou o cargo de enviado comercial do Reino Unido em 2011 devido aos seus vínculos controversos com Epstein.

Em 2019, após uma desastrosa entrevista de TV, ele anunciou que se afastaria da vida pública e de seus deveres reais. Questionado por uma jornalista da BBC se lamentava seu relacionamento com Epstein, Andrew afirmou que lamentava “o fato de que ele muito obviamente se comportou de maneira indecorosa”.

Em seguida, diante da indignação da entrevistadora, afirmou: “Sinto muito, estou sendo educado. Quero dizer, no sentido de que ele era criminoso sexual”. Em 2022, Andrew renunciou a seus títulos militares e deixou de usar o título de “Sua Alteza Real”.

No ano passado, Andrew concordou em abrir mão de seu título de Duque de York sob pressão do rei.

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