Tudo sinaliza que 2022 seja marcado ainda por dificuldades para a economia brasileira, em um cenário de renda mais baixa, crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,36% (como projetado pelo mais recente Boletim Focus, do Banco Central), desemprego elevado e com a política ainda contaminando o humor dos investidores e das empresas.
Diversos pontos ajudam a explicar por que as perspectivas são de apatia para a economia do Brasil em 2022. A inflação, embora menor, vai seguir alta. A Selic, em dois dígitos, vai segurar o consumo e encarecer o custo do dinheiro. Os embates eleitorais vão desencorajar investimentos. Ou seja, tudo o que já foi visto nos últimos anos.
O ambiente pouco animador é sustentado principalmente pelo desemprego. Não há perspectiva de melhora no mercado de trabalho e na renda das famílias em 2022 porque as empresas não sinalizam para um aumento da demanda. Pelas contas mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego caiu para 12,6% no último trimestre, mas a redução se deu em paralelo ao aumento do número de trabalhadores subocupados e informais. A informalidade responde por 54% do crescimento da ocupação no país. O rendimento real dos brasileiros encolheu e está no menor patamar desde 2012.
O descontrole das contas públicas e a volatilidade gerada pela corrida eleitoral devem gerar turbulência em outros indicadores, como juros futuros, risco-país, câmbio e bolsa. O quadro de crise hídrica e retração no consumo global de commodities brasileiras, como minério de ferro e grãos, tende a deixar as exportações estagnadas.
Diante desse cenário que os economistas chamam de tempestade perfeita crônica, não há razões para esperar muito do ano. Devemos encerrar 2022 com a sensação de déjà vu na economia, como se estivéssemos aprisionados na estagnação, dia após dia.