Estados australianos liberam transporte público gratuito para conter impacto da crise dos combustíveis causada por guerra no Oriente Médio

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Victoria e Tasmânia adotaram gratuidade para reduzir uso de carros; preços subiram após o início dos conflitos envolvendo EUA, Israel e Irã

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Uma gota de gasolina cai de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Roma, em 19 de março de 2026
Uma gota de gasolina cai de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Roma, em 19 de março de 2026 — Foto: TIZIANA FABI / AFP

A disparada nos preços dos combustíveis, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o transporte global de petróleo, levou estados australianos a adotarem medidas emergenciais para reduzir o uso de carros. Em Victoria e na Tasmânia, governos locais decidiram liberar o transporte público gratuitamente por períodos determinados.

Em Victoria, estado onde fica Melbourne, trens, bondes e ônibus serão gratuitos durante todo o mês de abril. A primeira-ministra estadual, Jacinta Allan, afirmou que a medida busca aliviar o impacto imediato sobre a população.

— Isso não vai resolver todos os problemas, mas é uma medida imediata para ajudar os moradores de Victoria neste momento — diz.

Na Tasmânia, a gratuidade começou na última segunda-feira e segue até o fim de junho, abrangendo ônibus, transporte rodoviário e balsas. O pacote inclui ainda a liberação de ônibus escolares pagos, com economia estimada em cerca de 20 dólares australianos por semana para famílias.

— Sabemos que o aumento do custo dos combustíveis está impactando o orçamento das famílias, e é por isso que adotamos novamente uma ação forte e decisiva para proteger os moradores da Tasmânia”, afirmou o premier Jeremy Rockliff.

Respostas variam entre estados e países

Outros estados optaram por estratégias diferentes. Em Nova Gales do Sul, o governo decidiu não implementar gratuidade e priorizar o atendimento à demanda crescente. O ministro de Transportes, John Graham, disse que o estado está “guardando munição” porque “essa situação deve durar mais de um mês”.

Já a Austrália do Sul ampliou benefícios para idosos, Queensland mantém uma tarifa fixa de 50 centavos e a Austrália Ocidental aposta em tarifas já reduzidas. O premier Roger Cook ironizou a situação ao afirmar que “Rick Astley estava no topo das paradas quando as tarifas estavam tão baixas na Austrália Ocidental, lá nos anos 80”.

Impacto global

A alta dos combustíveis está diretamente ligada à guerra no Oriente Médio, com impacto sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás do mundo. O fluxo de navios foi reduzido a níveis mínimos, pressionando os preços internacionais. Na Austrália, o litro da gasolina subiu de cerca de 2,09 para 2,38 dólares australianos.

O governo federal tenta conter preocupações. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que não há risco de escassez de combustível, mas reconheceu que os preços refletem a instabilidade do mercado global.

Medidas semelhantes vêm sendo adotadas em outros países.

No Egito, houve redução de horários de funcionamento de comércios e incentivo ao trabalho remoto. Na Etiópia, funcionários não essenciais receberam licença para diminuir deslocamentos. Já as Filipinas declararam emergência nacional, com subsídios a motoristas, redução de serviços de balsa e adoção de semana de trabalho de quatro dias para servidores públicos.

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