EUA anunciam 2ª fase do cessar-fogo em Gaza que prevê desmilitarização do Hamas

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Vista aérea de um avião da Jordânia mostra destruição na Faixa de Gaza - Alaa Al Sukhni/Reuters

Após meses de impasses e acusações de lado a lado, os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira (14) o início da segunda fase de seu plano para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, com foco na desmilitarização do grupo terrorista Hamas, na criação de uma administração tecnocrata palestina e na reconstrução do território. A informação foi divulgada pelo enviado do presidente Donald Trump à região, Steve Witkoff.

Em comunicado, Witkoff escreveu que o plano de 20 pontos apresentado por Trump em outubro entra agora em uma etapa que vai além do cessar-fogo. Segundo ele, a nova fase começa com a “completa desmilitarização e reconstrução de Gaza”, com ênfase no “desarmamento de pessoal não autorizado”.

A atual trégua teve início em 10 de outubro e foi formalizada três dias depois, com a assinatura de um acordo por Trump. Apesar da redução da intensidade dos combates desde então, os bombardeios não cessaram por completo, e Israel e Hamas trocam acusações de violações ao cessar-fogo.

O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, contabilizou 442 mortes desde a trégua. Com impasses, o cessar-fogo não havia avançado além da primeira fase. Israel se retirou de menos da metade de Gaza, e o Hamas libertou reféns vivos e devolveu os restos mortais em troca de palestinos detidos.

Nas fases futuras, o plano também prevê o desarmamento do Hamas, uma retirada adicional de Israel e a reconstrução de Gaza por uma administração apoiada internacionalmente.

Ainda é incerto de que forma o Hamas, que conseguiu se reorganizar desde o início do frágil cessar-fogo, será efetivamente desarmado, como prevê o plano. O grupo terrorista já afirmou em outras ocasiões que a renúncia total às armas seria, em sua visão, uma violação de princípios de soberania.

Ao anunciar o início da segunda fase, Witkoff afirmou que os EUA esperam que o Hamas cumpra com suas obrigações, incluindo a devolução imediata dos restos mortais de reféns que ainda permanecem em Gaza. E enfatizou que o descumprimento terá “graves consequências”.

Horas antes do anúncio americano, o Egito informou que foi alcançado um consenso sobre os nomes dos integrantes de um comitê palestino de tecnocratas que deverá administrar Gaza. O órgão será composto por 15 membros e faz parte do plano dos EUA para a governança do território no pós-guerra.

A proposta recebeu amplo apoio entre os palestinos. O Hamas, o Jihad Islâmico e outros movimentos escreveram, em comunicado conjunto, que concordam em apoiar os esforços dos mediadores para a formação do chamado Comitê Nacional de Transição Palestino. A presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia, também manifestou apoio em seus canais oficiais.

Segundo o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdellatty, a expectativa é que, após o acordo, o comitê seja anunciado em breve e passe a administrar a vida cotidiana dos palestinos e os serviços essenciais em Gaza.

O plano de 20 pontos de Trump prevê que o comitê de transição governe Gaza sob a supervisão de um Conselho de Paz liderado pelo próprio presidente americano. Nesta quarta, uma delegação do Hamas se reuniu no Cairo com mediadores egípcios para discutir a formação do comitê e seus mecanismos operacionais. Representantes do movimento, sob anonimato, disseram que negociações paralelas devem ocorrer com outros grupos palestinos.

Além da composição do comitê e da escolha de seu futuro presidente, as discussões também abordam o acordo de cessar-fogo, diante do que o Hamas classifica de violações israelenses em Gaza. Segundo uma pessoa com conhecimento dos diálogos, uma vez fechado o entendimento, caberá ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, emitir um decreto que formalize a criação do comitê.

Dois nomes são apontados como possíveis dirigentes do novo órgão: Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Palestina, e Maged Abu Ramadan, atual ministro da Saúde e ex-prefeito da Cidade de Gaza.

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